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Pais em tempos de crises: A arte de educar os filhos

Mário Freire - 29/03/2018 - 9:53

Foi com este título que saiu, em Agosto passado, em França, sob a direcção de Martine Fournier, um livro em que colaboraram 34 especialistas. 
A palavra “arte” sugere algo como jeito, dom, capacidade. De facto, um músico, pintor, bailarino, arquitecto…, para o serem, de verdade, têm que possuir um gosto por essas expressões estéticas mas, ao mesmo tempo, capacidades susceptíveis de exprimirem esse gosto. “Gostar” e “ser capaz” não são, contudo, suficientes para fazerem de alguém um bom músico, pintor, bailarino ou arquitecto. Há, também, que estudar muito, treinar, persistir, aprender. Assim, acontece com a “arte de educar”. 
Inúmeras perguntas se colocam aos pais, nos dias de hoje. Assim, como fazer obedecer-se sem gritar, punir ou manipular? Quando autorizar o começo do uso do telemóvel? Quando começar a deixar sair com os amigos à noite? E que limites estabelecer? E que fazer para que esses limites sejam respeitados? Como gerir a passagem para a adolescência? Um sem número de perguntas que todos os dias os pais, que desejam educar os seus filhos, se vêem confrontados! 
Se, durante meio século, se entendeu que à criança e ao adolescente deviam ser evitadas situações frustrantes porque elas iriam criar-lhes problemas psicológicos, hoje, e cada vez mais, aparecem vozes a louvar os benefícios da frustração. A criança e o adolescente, errando e sofrendo as consequências dos seus erros, poderão corrigir-se e melhor prepararem-se para a vida. 
Alguns pais têm mais jeito, paciência, perspicácia, enfim, “arte”, do que outros para lidarem com os problemas que os filhos lhes vão colocando. Todos eles, porém, devem sentir a necessidade de se esclarecerem, se informarem, tendo em vista uma relação saudável com os filhos e, assim, melhor exercerem o seu ofício de educadores. Na educação dos filhos, neste mundo em mudança, não há receitas exactas a dar mas, antes, princípios a estabelecer e a respeitar e um muito bom senso a ser constantemente posto à prova. Igualmente, a “arte de educar os filhos”, exige conhecimentos. E são alguns destes que o livro de Martine Fournier fornece. 
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