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Pais em tempos de crises: A bússola que aponta para o importante

Mário Freire - 16/05/2019 - 14:10

Relaciono-me com uma pessoa que me é muito próxima e que é líder de uma grande empresa, bastante hierarquizada mas em que em cada nível hierárquico há a liberdade de tomar determinado tipo de decisões. Diz essa pessoa que uma parte significativa das decisões que toma, que chegam ao topo e que só a ela competem, se baseia nos valores que possui. Ora, um dos valores que ela coloca à cabeça são as pessoas.
Inês Marques é uma psicóloga infantil que publicou nos finais do ano passado um livro intitulado “Crescemos juntos”. Trata-se de um conjunto de reflexões, 365 “inspirações”, uma para cada dia do ano, sobre os desafios do que é ser pai e ser mãe. Diz a autora que o papel de pai e mãe, de educador e cuidador, “costuma gerar mais dúvidas do que certezas. Uma coisa é certa: se cuidar das suas certezas, surgirão menos dúvidas e menos angústias.” E o que são as suas certezas? 
Ora, os valores, segundo a psicóloga, são a parte importante dessas certezas. Eles constituem os princípios que definem a forma de nos relacionarmos com os outros e, simultaneamente, que nos orientam, qual bússola, para aquilo que julgamos ser o essencial.
Voltando aos valores de uma empresa, eles quando colocam a ênfase nas pessoas, implicam que essa empresa seja sustentável; mas essa sustentabilidade tem que se alicerçar em valores como a honestidade, a responsabilidade social, a integridade, a inovação, a transparência, a flexibilidade, entre outros. Estes valores, sendo passados dos superiores hierárquicos aos colaboradores, estão a contribuir para um clima empresarial facilitador do bom relacionamento e da entreajuda. 
Mas aqueles valores empresariais decorrem da aquisição de valores individuais em que o respeito entre as pessoas, a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro), o sentimento de solidariedade, a humildade, a cordialidade… constituíram aspectos básicos na sua formação. Mas quem está em melhores condições de os proporcionar? 
Termino com o que a autora do livro refere numa entrevista ao jornal “Observador” de 18 de Outubro passado: “De pouco nos serve termos muitas coisas para mostrar, quando internamente somos pobres em princípios, valores, emoções, ideais… A melhor forma de ensinarmos às crianças e adolescentes aquilo que somos, face àquilo que temos, é sermos modelos de referência.”

 

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