Há crianças que manifestam comportamentos intoleráveis de indisciplina, correrias em locais inapropriados, levando à frente tudo o que lhes aparece, levantam as mãos aos avós mas os pais nada lhes dizem. Estes, então, para desculpar os filhos, dizem que são hiperactivos.
Ora, há que distinguir entre hiperactividade e má educação. Uma criança hiperactiva possui uma patologia que necessita de acompanhamento psicológico e pedagógico. Trata-se de uma doença em que a pessoa manifesta dificuldade em manter a atenção, em seguir instruções, em controlar os impulsos, originando, por isso, problemas de disciplina. Uma criança com este transtorno é inconstante no estudo, tendo, em regra, resultados escolares medíocres. Ter um filho com estas características é stressante, pois ele, tendo comportamentos incómodos, exige uma permanente vigilância. Torna-se, pois, da maior importância, diagnosticar o mais cedo possível este tipo de patologia. A incidência desta síndrome é, segundo Javier Urra, de 3 a 5% das crianças em idade escolar, sendo maior nos rapazes do que nas raparigas, na proporção de nove para um.
Outra situação muito diferente é a má educação das crianças que, não raras vezes, se vê em restaurantes, supermercados… São aquelas crianças que têm, frequente e deliberadamente, comportamentos que incomodam as outras pessoas, que se enfurecem quando não obtêm aquilo que desejam, que se zangam ou ficam ressentidas com facilidade, que discutem com os adultos…
Muitos destes comportamentos provêm de essas crianças serem demasiado mimadas, quando as deixam fazer tudo o que pretendem, sem que haja um “não” mais enérgico que as impeça de satisfazerem os seus caprichos mais disparatados. Elas tornam-se, ainda, mal-educadas quando são excessivamente superprotegidas, sendo afastadas das mínimas frustrações, isto é, dos seus desejos não conseguidos, arredando-as das realidades da vida. A ausência de regras e a inexistência de limites, tornam estas crianças persistentemente insatisfeitas e infelizes e, talvez, quando adultos, serem pessoas que irão gerar problemas familiares e sociais.
Cautela, pois, quando os pais, por negligência ou comodismo na educação que dão aos filhos, os apelidam de hiperactivos!
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