Numa entrevista dada por Nicole Prieur, filósofa, terapeuta e autora de vários trabalhos nos domínios da psicologia e da educação, à revista “Le Cercle Psy”, no seu número de Fevereiro passado, ela diz que há a tendência para colocar o amor no lado dos sentimentos belos e grandes, enquanto o dinheiro fica no lado oposto, junto da mesquinhez e das coisas pequenas. E a origem desta clivagem, segundo Nicole, pode estar num desejo de pôr de lado os padrões velhos da família dos séculos XVIII e XIX, quando se faziam casamentos levando em consideração apenas as questões materiais, excluindo o amor.
A gestão do dinheiro pelo casal, no entanto, não sendo um dos temas mais abordados na literatura psicológica, é uma das maiores fontes de discussão entre casais. Há discussão porque um ganha mais do que o outro; ou porque um gasta mais do que o outro; ou porque não concordam nos tipos de investimentos que têm a fazer...
O número de separações conjugais, as reconstituições familiares, o prolongamento da vida que leva ao apoio dos pais idosos, a precariedade do emprego jovem que dificulta a constituição de uma família estável, enfim, uma multiplicidade de circunstâncias que, na opinião da entrevistada, conduz a que os vínculos entre o dinheiro e o amor nunca terem sido tão complexos como hoje.
Para evitar desentendimentos ou sentimentos de injustiça, seria fundamental definirem-se como vão dividir-se as despesas conjuntas. Ella Nooren, consultora, apresenta três opções:
1. Dividir as despesas de forma igual. Neste caso, os rendimentos vão para a mesma conta e todas as despesas são pagas com o dinheiro dessa conta. Esta opção é ideal para casais que estejam alinhados no que diz respeito quer à gestão financeira, quer aos seus projectos a longo prazo. Se tal não acontecer ou se um tem tendência a gastar muito mais daquilo que o outro entende, esta não é a melhor opção.
2. Dividir as despesas pela metade. Cada um contribui com metade do valor das despesas comuns. Neste caso, o casal pode optar por ter uma conta conjunta (de onde paga as despesas comuns), adicionalmente às suas contas individuais. Esta opção é mais comum nos casais que tenham rendimentos idênticos.
3. Pagar as despesas na proporção dos rendimentos. Nesta opção, a pessoa com rendimentos mais elevados contribui mais para as despesas e a pessoa que recebe menos, contribui menos para as despesas, independentemente das contas individuais que cada um tenha.
Enfim, numa união conjugal o essencial não é o dinheiro. Mas ele pode constituir-se num elemento agregador do casal ou, pelo contrário, num factor disfuncional da família.