A Páscoa é a festa cristã mais importante do ano e celebra a ressurreição de Jesus Cristo, três dias após a sua crucificação. Tenho dúvidas, no meio desta sociedade que nos absorve por tantos lados, se algum deles conduz para a origem religiosa da Páscoa. A corroborar esta quase alienação por tudo o que transcende o dia-a-dia, justificada, em parte, pela intranquilidade, imprevisibilidade e insegurança a vários níveis dos tempos que correm, o jornal australiano Sun-Herald fez um inquérito para saber o que é que a população associava à festa da Páscoa. Os resultados obtidos, pela ordem das opções apresentadas, ligaram a Festa aos ovos de chocolate, ao feriado prolongado, ao show televisivo da Páscoa e, em último lugar, a uma festa religiosa.
Remetendo-nos, agora, para a Páscoa judaica, esta celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egipto, no ano aproximado de 1280 a.C. É a “Pessach” cuja palavra significa passar. Isto porque, de acordo com o Êxodo, o segundo livro da Bíblia, um anjo enviado por Deus feriu de morte todos os primogénitos egípcios, até mesmo os da casa do Faraó. Então o Faraó, temendo a ira divina, aceitou libertar o povo de Israel, originando o Êxodo, a sua saída rumo à Terra Prometida.
Várias são as palavras fortes que estão associadas à Páscoa que poderiam inspirar os pais na sua reflexão sobre alguns conceitos, seja na relação com os filhos, seja, até, na relação entre eles próprios. Afinal, o que significa ressuscitar após uma crucificação, um grande sofrimento? Para um cristão, a morte é, apenas, uma passagem para uma nova vida mas também, para um agnóstico ou ateu, significa que não há dores eternas; depois delas sofridas há sempre um renascer, uma esperança renovada. Depois do Inverno da chuva, do vento e do frio, vem a Primavera, com o desabrochar das flores nos campos, nas suas múltiplas cores. E essa esperança renovada pode traduzir-se num incutir de ânimo nos filhos perante umas más notas na escola, numa frustração que é preciso aceitá-la e ajudando-os a aprender com ela… Como diria Sérgio Godinho “a vida é feita de pequenos nadas”. Ora, para que ela tenha conteúdo, é preciso que estes “pequenos nadas” não sejam inúteis.
Por outro lado, o êxodo do povo hebreu traduziu-se na passagem da escravidão para a libertação. Afinal, na nossa vida de família, com esforço, é certo, quantas vezes nos libertamos daquilo que nos oprime e deprime e tentamos encontrar forças para, através do diálogo, da aceitação do outro, rumarmos para a tal “terra onde corre o leite e o mel”, como se diz no terceiro livro bíblico, o Levítico?!