No passado mês de Abril, a Nesquik, uma marca de pós para preparo de leite aromatizado produzida pela Nestlé, em colaboração com o jornal “Observador”, publicou um artigo, não assinado, sobre a importância da presença dos pais na estruturação da personalidade dos filhos.
Ora, essa presença ganha particular relevo na infância. É nesta fase que se adquirem as bases para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional e se ditará muito daquilo que uma pessoa será como adulto.
Os traumas que se sofrem nessas idades têm repercussões para a vida inteira. E, apesar de cuidados que, posteriormente, lhes possam ser dados para remediar esses tempos difíceis da infância, muitas destas pessoas, quando adultas, ficam com graves sequelas.
Quanta marginalidade e criminalidade resultaram dessas crianças traumatizadas, negligenciadas, abandonadas a si próprias?! Outras, porém, conseguiram superar esses traumas e hoje, como adultos, encontram-se integrados na sociedade mas, muitas vezes, com sequelas psicológicas.
Como se caracterizaria, então, essa presença parental junto dos filhos? Desde logo, tendo com a criança uma relação de proximidade, de participação, por exemplo, através do jogo, nas suas actividades. Dar-lhe, ao mesmo tempo, confiança nas pequenas dificuldades que se lhe deparam; que os obstáculos que se lhe vão colocando se constituam em desafios que ela tente ultrapassar, a sós ou com a ajuda dos pais. Há, depois, que apelar à sua criatividade, desafiando-as a manipular objectos, a construí-los, utilizando diferentes materiais. Ler-lhes histórias, ir dialogando com elas sobre as diferentes personagens, sobre os diferentes acontecimentos que nessas histórias vão tendo lugar são maneiras de desafiar a sua criatividade.
Diz-se no artigo atrás citado: “Sobretudo numa época em que o quotidiano é invadido pelas novas tecnologias, impõe-se a salvaguarda de defesa das crianças ao excesso de exposição a, por exemplo, consolas, telemóveis e redes sociais, inclusivamente limitando o seu tempo de acesso e proporcionando outras experiências”.
No mesmo artigo referem-se, depois, algumas actividades lúdicas em que pais e filhos participariam como sejam teatro de fantoches, acampamento dentro de casa, jogo da pesca, piquenique caseiro, discoteca em casa…
A criança tem, também, que começar a interiorizar que não pode ter tudo o que quer. Que há regras, que há limites que não pode ultrapassar e, para isso, os pais têm que ter consciência de que são mais do que uns simples companheiros de brincadeiras. Os filhos têm que ver neles a autoridade para aceitarem o dizer-lhes “não”. E o “não” deve ser dado, de acordo com a idade, de diferentes maneiras, mas sempre com muita serenidade.