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Pais em tempos de crises: A tricentésima crónica

Mário Freire - 17/01/2019 - 9:31

Já passaram mais de seis anos que mantenho, semanalmente, esta coluna e a crónica de hoje é a número 300. Se os números redondos são propícios a comemorações, neste caso, ele serve-me para fazer uma curta reflexão sobre a participação nesta coluna que intitulei de “Pais em tempos de crises”. Apesar dela se circunscrever a dado sector da sociedade - a família - esta pode ser encarada segundo ângulos diversos e tantos são os problemas a ela associados que a tornam um assunto sempre desafiante, ao ser abordado. 
Todos os textos publicados partem do pressuposto de que a família é a instituição nuclear da sociedade e que a sua desregulação contribui, igualmente, para a desregulação desta mesma sociedade. Esta convicção que há muito tinha, enraizou-se-me ainda mais depois de, como voluntário no apoio ao estudo, durante mais de doze anos, numa instituição de acolhimento de crianças e adolescentes em risco, ter assistido à expressão, de vários modos, de muitos conflitos graves. E todos estes conflitos tinham uma causa: famílias desestruturadas. Por detrás delas vamos encontrar o desemprego, a pobreza, o alcoolismo, a toxicodependência, a violência entre pai e mãe, a negligência e os maus-tratos para com os filhos, a separação conflituosa…
Felizmente, que estas famílias não constituem a regra mas elas podem exemplificar, num ou noutro aspecto do seu funcionamento, algo que é susceptível de ocorrer numa família comum. E quanto mais ocorrências desreguladas na família houver, mais probabilidades existem na criança e no adolescente que nela vivem de serem vítimas de sofrimentos que poderão influenciar os seus percursos ao longo da vida. 
Os tempos de hoje são de grandes incertezas políticas e sociais. E estas incertezas transferem-se, igualmente, para as famílias. Se os laços de conjugalidade se apresentam agora como mais frágeis, igualmente os de parentalidade não parecem mais sólidos. 
Considerando-me, apenas, uma pessoa interessada pelos problemas da família, tento que as minhas opiniões sejam suportadas quer pelas experiências vividas e valores que perfilho, quer por estudos feitos por outros, nos âmbitos que são abordados, quer pelas ideias expendidas por peritos nas várias temáticas apresentadas. 
Os desafios que são colocados às famílias pela sociedade contemporânea e as soluções que para eles são encontradas merecem que o tema seja debatido no espaço público. É isso que tentarei continuar. 
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