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Pais em tempos de crises: A violência sexual em crianças e adolescentes

Mário Freire - 13/06/2019 - 9:20

Foi dada a notícia no passado dia 28 de Maio, pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que uma média de 22 crianças por mês são vítimas de violência sexual. A notícia inclui outros dados. Assim, cerca de 80% das vítimas são raparigas entre os oito e os dezassete anos, sobretudo residentes nos distritos de Lisboa e Porto. O que mais impressiona, contudo, é estes crimes ocorrerem no seio da família e serem os próprios pais, dentro de casa, os primeiros violadores. A APAV adianta ainda outros dados estatísticos mas estes são já suficientes para nos fazerem reflectir. 
Têm sido feitos muitos estudos sobre as personalidades dos violadores e julga-se que pode haver várias causas para que uma pessoa se torne um destes agressores. Uma das que parece ser das mais relevantes é a vontade de o violador querer dominar a vítima, ter uma ânsia de poder, de a subjugar. Este exercício perverso do poder parece dar-lhe mais prazer do que o próprio acto sexual. 
Ora, não sendo regra, muitos violadores há, com complexos de inferioridade, com baixa auto-estima, que para satisfazerem esse tal desejo de poder, vão procurar vítimas mais frágeis sob o ponto de vista físico e que não ponham em causa essa sua vontade de dominar. Por isso, as crianças e as adolescentes serão as vítimas mais apropriadas para satisfazerem esse desejo de subjugar os outros.  
Outra causa tem sido apontada para explicar a personalidade do violador: o ter sido ele próprio, enquanto criança, vítima de violação. O quadro de referência que ele assimilou foi o de que o acto sexual se associa a uma agressão, em que alguém mais poderoso violenta outro mais débil.
Todas estas causas podem dar uma justificação para a violação e até serem aplicadas nos casos em que ela tem lugar dentro da família. Mas, mais do que explicá-la, como aceitá-la? Não é a família o primeiro refúgio onde a pessoa e, especialmente, a criança encontra abrigo, quando se vê ameaçada, quando algo lhe corre mal? Não é a família e, especialmente os pais, que primeiro avançam e tudo fazem para proteger os seus filhos, perante qualquer perigo?
É bom que não ignoremos os dados apresentados; no entanto eles têm que ser, na grande maioria dos casos, devidamente inseridos em ambientes familiares e socias muito disfuncionais. A família, apesar das novas formas de conjugalidade que a sociedade contemporânea nos oferece, continua a ser o primeiro esteio, que ajuda, auxilia e protege aqueles que nela vivem e, muito especialmente, as crianças e adolescentes. Todos os esforços que os elementos de uma família façam para que funcione adequadamente, são esforços que se fazem em prol de uma sociedade menos agressiva e mais solidária. 
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