As notícias sobre violência doméstica, especialmente sobre as mulheres mas que, igualmente, se estendem a idosos e crianças, têm sido, infelizmente, cada vez mais frequentes. Beatrice Royer, psicóloga da infância e adolescência, já citada nesta coluna, num artigo do jornal “Le Monde”, no final do ano passado, refere que o respeito pelo outro, é um valor a cultivar e a transmitir na família pois só ele pode opor-se à violência, ao egocentrismo, ao narcisismo, a todo o poder sem controlo.
É certo que a criança até aos 2-3 anos de vida concentra toda a atenção dos pais e estes tentarão satisfazê-la em todas as suas necessidades. Entretanto ela vai ganhando autonomia, começa a andar, a fazer-se entender e gostaria que o mundo continuasse a girar à sua volta. Algumas crianças passarão por uma fase de birras que poderão deixar os pais fatigados. As crianças têm que aprender, no entanto, que existe o outro, que há regras a respeitar e isso pode passar com protestos da parte delas.
Os pais, recorrendo ao seu bom senso, seja na infância ou na adolescência dos filhos, terão que oscilar entre a flexibilidade e a firmeza. Flexibilidade, quando os protestos dos filhos não ponham em causa as normas básicas da convivência e o respeito pelos outros. Firmeza, quando com os seus protestos se exige uma resposta sem tibieza mas serena, não deixando que se ultrapassem os limites do razoável e do sensato.
As relações entre pai e mãe tal como entre irmãos são uma oportunidade para lembrar que o respeito é essencial para que a vida em família seja possível. Tal não significa que haja sempre concordância nas opiniões mas que as discordâncias nunca dêem lugar a insultos, ameaças…
A vida escolar e a internet são, igualmente, ambientes propícios para que a violência se manifeste, sob diferentes formas, nos filhos, seja como vítimas, seja como agressores. Um acompanhamento dos pais, não invasivo mas discreto e dialogante, pode ajudar a prevenir condutas disruptivas que, mais tarde, poderão tornar-se irreversíveis.
Enfim, como diz Beatrice Royer, a violência é inaceitável e que é na família, desde a mais tenra idade, que tem que ser prevenida e começar a construir-se essa virtude fundamental: o respeito pelas pessoas.