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Pais em tempos de crises: Adolescentes, internet e violência

Mário Freire - 07/02/2019 - 10:53

Vivemos hoje imersos no mundo digital. A internet está dentro de casa, na escola, no trabalho, na rua, em qualquer lugar. Estando sós, podemos estar a comunicar com muitos e ao mesmo tempo. As tecnologias de informação e comunicação proporcionaram uma diversidade e uso de novos meios de interacção, de que os adolescentes se apropriaram. Estes novos meios de interagir trouxeram inúmeros benefícios à comunidade. No entanto, eles, igualmente, são portadores “de riscos e perigos, tais como situações de intimidação, insinuações e insultos praticados por crianças e jovens entre si através do mundo virtual com mensagens electrónicas e a divulgação de pequenos vídeos de situações da vida na escola, tornando-se alguns deles, objecto de divulgação nos meios de comunicação social. Estamos, assim, diante de uma nova espécie de bullying, o bullying virtual ou cyberbullying que vem amplificar, incomensuravelmente, os riscos na vida quotidiana das crianças e dos jovens.” Esta transcrição é feita de um estudo intitulado ‘Cyberbullying na adolescência: perfil psicológico de agressores, vítimas e observadores’, da autoria de Mariana Ferreira Teixeira Santos da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, apresentado em 2015.
Nele, o cyberbullying é definido como o uso das tecnologias digitais para comportamentos deliberados, repetidos e hostis contra uma pessoa ou grupo, com a intenção de causar dano. 
Retirando do estudo apenas alguns aspectos que podem ter interesse nesta coluna, a autora verifica que as práticas mais comuns de cyberbullying são pessoas desconhecidas conversarem com as vítimas na Internet, o roubo de identidade e de fotografias e dados pessoais. Daí o alerta que ela faz para a importância de ter um perfil privado nas redes sociais e não um perfil público, onde qualquer pessoa poderá aceder. Outra conclusão é a de que os agressores tendem a manifestar atitudes mais favoráveis à violência, mostrando dificuldade na compreensão de comportamentos sociais e de autocontrolo. 
Quanto às vítimas, elas apresentam-se como pessoas sensíveis, respeitosas, honestas e com capacidade de se colocar no lugar do outro mas manifestam uma autoestima reduzida, problemas emocionais e uma maior dificuldade em superar os obstáculos.
Quanto ao sexo dos intervenientes no estudo, os rapazes revelam atitudes mais favoráveis à violência do que as raparigas. Quanto a estas, tendem a usar formas mais subtis de agressão, como rumores e comentários pejorativos.
Enfim, um estudo académico que pode alertar os pais quer para certas atitudes dos filhos, quer para a relação que eles têm com o mundo digital. 

 

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