Foi efectuado pela Deco Proteste um estudo sobre a alteração do estilo de vida das pessoas, nalgumas das suas facetas, neste tempo da pandemia covid-19. Este estudo, que veio a público no passado dia 27 de Abril, realizou-se a partir de um questionário online a uma amostra da população adulta portuguesa. Obtiveram-se 1008 respostas que foram devidamente ponderadas pelas variáveis sexo, idade, região e nível educacional, de forma a reflectirem a realidade nacional.
Nas várias partes que o questionário incluiu contam-se, entre outras, o ambiente em casa e os vários tipos de situações relativamente ao emprego (desemprego, manutenção ou redução do horário de trabalho, inactivos-‘lay-off’, teletrabalho…).
Embora nos interesse neste estudo “o ambiente em casa”, é certo que as outras situações não se encontram desligadas dela, muito especialmente a que diz respeito ao emprego.
Ora, verificou-se que seis em cada dez inquiridos assinalaram que as restrições à mobilidade prejudicam o seu bem-estar psicológico. E este prejuízo, devido aos estados de incerteza, a vários níveis, pode traduzir-se na tristeza, na raiva, no medo (seja o de contrair a doença, o de perder o emprego, o da redução de rendimentos…).
A partir desse mal-estar resultam, depois, situações de “fricção”. Assim, os inquiridos referiram que o estarem no mesmo espaço durante todo o dia, a partilha das tarefas domésticas, as diferenças de opinião sobre as medidas de prevenção da covid-19 e, nos agregados com crianças, os modos diferentes de ver o acompanhamento escolar dos filhos, foram apontados como as causas principais desses desencontros conjugais.
Costuma dizer-se que nesta pandemia todos estamos metidos no mesmo barco. O que acontece é que neste barco há várias categorias: aquelas cujas pessoas dormem nos porões e as outras que, do leito, conseguem ver o mar. E as primeiras serão, certamente, as que mais sofrerão.
É certo que não poderemos mudar o mundo, erradicar a pobreza, acabar com os despedimentos ou com a carência de rendimentos que são a fonte primeira de muitas “fricções” dentro de casa. Mas, ao nosso lado, debaixo do mesmo tecto, ou ao nosso vizinho ou a outros, de diferentes maneiras, cada um de nós pode contribuir com a nossa serenidade para darmos serenidade a quem a não tem e encontrarmos motivos de esperança. E muitos e variados casos têm sido trazidos a público nesta altura!