Nos dias de hoje, muitas são as crianças que se vêem assoberbadas, para além das actividades escolares, com outras de natureza desportiva ou artística.
Esta constatação e as consequências desta tendência no equilíbrio familiar são descritas pela jornalista Béatrice Kammerer. Ela relata a investigação levada a cabo por dois investigadores britânicos que fizeram um estudo junto de 48 famílias da classe média do norte de Inglaterra, entrevistando quer as crianças, dos 9 aos 11 anos, quer os respectivos pais.
Ora, esses investigadores verificaram que todas as crianças interrogadas praticavam uma actividade extra-escolar, pelo menos duas vezes por semana, acumulando algumas delas duas actividades todos os dias.
Como causas para esta prática de actividades dos filhos, os pais referiram desejar que eles desenvolvessem capacidades para melhor enfrentarem o futuro e o mundo competitivo em que se vive. Além disso, essas actividades serviriam, igualmente, quer para promover uma melhor saúde, quer para suprir uma maior ausência da mãe, implicada na sua profissão. Os pais referiram, ainda, que a prática destas actividades lhes dava um sentimento de que estavam a ser bons pais. No entanto, os investigadores verificaram que as actividades extra-escolares das crianças traziam outro tipo de consequências. Por um lado, elas implicavam um custo em tempo, dinheiro e energia, custo este que, algumas vezes, afectava o equilíbrio conjugal. Por outro lado, elas podiam tornar-se cansativas para a criança, quer interferindo no aproveitamento escolar, quer impedindo-a de ter os seus tempos para brincar e descansar.
Compreende-se que os pais queiram dar o melhor que tenham e saibam aos seus filhos. Mas há que ponderar, segundo os resultados deste estudo, quer a frequência, quer a qualidade dessas actividades suplementares, no caso de se decidir que os filhos as tenham.
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