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Pais em tempos de crises: As doenças na infância e adolescência e as desigualdades sociais

Mário Silva Freire - 17/02/2022 - 9:44

No “Tratado de Clínica Pediátrica”, coordenado pelo Professor jubilado de Pediatria João M. Videira Amaral, na sua 3ª edição, já deste ano de 2022, diz-se logo no 1º capítulo, no tópico “Saúde Infantil e Juvenil no Mundo”, que nos países desenvolvidos “duas situações merecem uma referência especial: a obesidade e as situações de pobreza nos países ricos. A obesidade corresponde a uma situação da mais elevada prevalência nos países da abundância (…)  trata-se da grande epidemia do séc. XXI, conduzindo a uma redução da esperança de vida pela co-morbilidade associada; em termos de patologia, assiste-se a uma ambivalência insólita, pois noutras partes do globo muitas crianças, adolescentes e adultos morrem de fome.” Relativamente às situações de pobreza nos países ricos, João Amaral refere um documento da UNICEF em que, no âmbito dos países da OCDE, em que se inclui Portugal e mais 37, entre os quais muitos dos mais avançados do mundo mas também países emergentes como a Colômbia, o México, o Chile e a Turquia, são os Estados Unidos da América do Norte e o México os que maior taxa de pobreza apresentam (20%). Relativamente aos de menor taxa de pobreza, simultaneamente menos populosos, indicam-se a Dinamarca e a Finlândia, com menos de 3%, seguindo-se-lhes a Suécia e a Noruega, com cerca de 5%. Portugal, Reino Unido, Itália, Irlanda e Nova Zelândia surgem actualmente com taxas de 15–17%, consideradas altas.
Ora, nestes mesmos países desenvolvidos, lê-se no 1º capítulo que “a par do desenvolvimento em áreas de ponta da medicina, tem emergido dramaticamente outro tipo de problemas, muitos deles em focos degradados das grandes cidades como sejam: a disfunção familiar, a gravidez na adolescência, a delinquência juvenil, o problema das ‘crianças de rua’, a toxicodependência, a infecção pelo VIH, a violência e o estresse. Tais problemas, criando novas morbilidades, obrigam a programas integrados de intervenção social.” 
As patologias físicas não podem, pois, desligar-se das patologias sociais; elas interagem, alimentando-se umas das outras e ambas igualmente sustentadas pelas grandes desigualdades sociais. Combatendo estas, certamente uma parte significativa destas doenças poderiam ser erradicadas.
Como nota de rodapé, tal como o fiz em 20 de Abril de 2017, a propósito do tema que, então, aqui tratei sobre “O aleitamento materno e as doenças da civilização”, a propósito de um livro seu saído na altura, diga-se que o Professor João Amaral, fundanense, foi aluno nos anos 50 do Liceu de Castelo Branco. Para se ter uma ideia da obra agora publicada, em suporte digital, de que ele foi o coordenador e autor de vários capítulos, ela consta de 405, distribuídos por 3 volumes, contando com 109 autores. Um Professor que honra a Beira Baixa! 

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