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Pais em tempos de crises: As emoções em família

Mário Freire - 24/01/2019 - 10:04

Cada vez mais o tema da inteligência emocional vai ganhando espaço nos diferentes domínios da relação humana e, especialmente, na família assume ela grande relevo. 
Durante muito tempo, razão e emoção eram consideradas antagónicas: a emoção seria uma força impulsiva, por vezes incontrolável; pelo contrário, a razão caracterizava-se pelo equilíbrio e coerência. Ora, na segunda metade do século XX, o conceito de inteligência emocional, desenvolvido por Goleman e, mais tarde, por outros, foi possível estabelecer uma interligação entre a razão e a emoção através das chamadas inteligências intrapessoal e interpessoal. 
Uma pessoa é inteligente sob o ponto de vista intrapessoal quando consegue lidar com os seus próprios conflitos, sabe controlar-se, tem a possibilidade de reflectir sobre os seus sentimentos e tenta compreender-se naquilo que é. 
De idêntico modo, uma pessoa é inteligente sob o ponto de vista interpessoal quando tem a capacidade de detectar e compreender as circunstâncias e os problemas dos outros e, até, de se colocar no lugar do outro.
Ora, estes tipos de inteligência inserem-se na chamada inteligência emocional de Goleman. Uma pessoa será, então, inteligente sob o ponto de vista emocional se, entre outros aspectos, conseguir encarar com paciência e serenidade os problemas que decorrem dos relacionamentos com os outros e, simultaneamente, lidar adequadamente com os seus sentimentos destrutivos, como a raiva, inveja, ansiedade… E estas características podem ser aprendidas.
A educação das emoções deveria, pois, ser preocupação de todos os que têm responsabilidades na formação das crianças e adolescentes. Estes seriam estimulados a desenvolver competências na escola e esta deveria conter actividades que fossem nesse sentido. Igualmente, a família seria o lugar onde os filhos aprenderiam a lidar, equilibradamente, quer com os seus próprios conflitos e frustrações, quer com aqueles que o ambiente envolvente lhes apresenta. Trata-se de um desafio, em primeiro lugar aos pais pois são estes que, de mais perto, contactam com os filhos. Mas será que eles próprios, pais, sabem lidar adequadamente com as suas emoções? 
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