Esteve em Novembro passado em Portugal o psicólogo Jordan Peterson, professor catedrático da Universidade de Toronto. Ele é autor quer de inúmeros vídeos, quer de vários livros, o último dos quais, “12 Regras para a Vida, Um antídoto para o Caos”, se tornou um best-seller internacional, traduzido em português (ed. Lua de Papel), saído em Setembro passado, indo já na 5ª edição, em 2019.
Ora, Jordan Peterson fez uma conferência para mais de mil pessoas no Campus de Carcavelos da Universidade Nova de Lisboa e foi aplaudido de pé e em que a maioria da assistência era jovem.
Considerado por muitos como alguém que vai contra o politicamente correcto, ele defende, por exemplo, que os homens e as mulheres são diferentes psicologicamente e que esta diferença é causada não pelo ambiente que nos rodeia, mas sim pelas nossas diferenças biológicas. Assim, Jordan Peterson diz-nos, apoiado em dados estatísticos, que a maioria das mulheres apresenta resultados mais altos em afabilidade e os homens em assertividade. Ele acrescenta, ainda, que isto explica porque é que há mais mulheres enfermeiras e médicas, e mais homens engenheiros. Claro que uma educação abrangente, que abra oportunidades lúdicas e profissionais, não estereotipadas sexualmente, a ambos os sexos, alarga os respectivos horizontes. Deste tema já nesta coluna se tratou (Reconquista de 03/01/2019).
Voltando à conferência proferida por Peterson, mais do que falar do seu último livro, ele preferiu abordar “os fundamentos conceptuais” sobre os quais assentam as suas 12 regras - a primeira das quais é “levante a cabeça e endireite as costas”, que é como quem diz, “ou somos verticais, ou somos esmagados.” De entre os muitos conceitos por ele abordados, destaco o último - os totalitarismos. Ele não faz distinção entre os totalitarismos de direita e os de esquerda. E disse: “Os totalitarismos acontecem porque as pessoas se demitem e preferem fingir que não vêem.” Para tal, como que explicando o que acabou de referir, retiro do seu livro e da 1ª regra (pp.53): “paremos de andar dobrados e murchos. Digamos aquilo que realmente pensamos. Que os nossos desejos venham primeiro, como se tivéssemos direito a eles – pelo menos tanto direito como os outros. Caminhemos direitos e olhemos em frente”. Com esta ideia presente, Peterson, olhando para o mar de jovens que tinha à sua frente, disse-lhes, a terminar a conferência: “Essa é a vossa responsabilidade.” Ora, esta responsabilidade de assumirmos o que pensamos, sem medo do que os outros digam ou pensem, mesmo que vá contra a corrente do que vai passando na comunicação social, talvez ainda com maior intensidade ela recaia nos pais - os primeiros modelos dos filhos.
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