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Pais em tempos de crises: Combater os estereótipos na família

Mário Freire - 03/11/2016 - 9:21

Uma das metas das sociedades de cultura ocidental é o da igualdade entre homens e mulheres. Claro que essa igualdade não pode ignorar as especificidades biológicas. É no ventre materno que se gera o novo ser. É a mãe que amamenta o filho. O sorriso e os afagos maternos são importantes para uma estruturação psicológica equilibrada da criança, tal como o sorriso e os afagos paternos, feitos de outro modo, o são. Pai e mãe devem cuidar da criança. Os modos de eles cuidarem, sendo diferentes, ajudam a criança a crescer, a diferenciar-se, a autonomizar-se 
Quando se fala na desigualdade entre homens e mulheres está a pensar-se, contudo, nas desiguais oportunidades que são dadas aos dois sexos no que se refere ao emprego, à política salarial, à participação na política e nos cargos de direcção das empresas e instituições, ao desempenho das tarefas do lar e na educação dos filhos, etc. Todos estes aspectos que tentam diferenciar na sociedade o homem da mulher incluem-se no chamado sexismo. Ora, este é um dos estereótipos mais vulgarizados; quer isto dizer que há comportamentos ou atitudes que se filiam em crenças que não são sustentadas nem pela razão, nem pela experiência. Este estereótipo – o sexismo - refere que homens e mulheres, por serem diferentes nalgumas das suas características, têm que desempenhar papéis diferentes nas instituições, na sociedade. Mas não existem apenas estereótipos sexistas. Há-os, também, de outra natureza. O racismo, por exemplo, diz que há raças superiores a outras, tal como o nazismo pretendeu mostrar com as suas atrocidades.  A xenofobia é outro estereótipo e traduz-se em considerar os estrangeiros ou tudo aquilo que vem de fora, como de categoria inferior ao que somos ou ao que temos. Infelizmente, nos dias de hoje, ele tem ganhado proporções enormes, de tal modo que países de cultura democrática ensaiaram movimentos, tendo em vista dificultar a entrada de estrangeiros ou de os expulsar das suas fronteiras.  
Ora, os estereótipos têm um carácter redutor sob o ponto de vista cultural porque estreitam a visão do mundo e as pessoas que os possuem só vêem aquilo que desejam ver; passa-lhes ao lado a riqueza da realidade envolvente, na sua diversidade. Eles são redutores sob o ponto de vista ético porque atribuem qualidades e defeitos àquilo ou àqueles que, simplesmente, são diferentes. 
Combater os estereótipos, competindo a várias instituições, é na família que melhor essa tarefa pode contribuir para uma sociedade com menos desigualdades.
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