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Pais em tempos de Crises: Crescer numa família recomposta

Mário Freire - 26/07/2018 - 8:30

Num artigo da revista Le Carnet psy, de Agosto de 2017, fala-se, a propósito das famílias recompostas, sobre os rearranjos psicológicos a que as crianças têm que proceder para se adaptarem às novas situações em que passam a viver, após a separação quer dos pais, quer relativamente às novas pessoas com quem têm que viver, no caso das recomposições familiares. 
Assim, aquando da separação parental, a situação de pai ou mãe ausente pode tornar-se uma realidade numa família monoparental. Depois, havendo uma nova recomposição da família, pai ou mãe adoptivos, com os respectivos filhos, podem ser tomados pela criança como concorrentes, relativamente à atenção que a mãe ou pai lhe prestam.
Num estudo que foi feito desde a década de 90 até há pouco, e referido naquela revista, foram inquiridas 827 crianças dos 6 aos 12 anos que tinham passado por tais situações, da separação dos pais à recomposição familiar. 
A questão que norteava a investigação era saber qual a imagem que as crianças tinham de si próprias, quando comparadas com outras que não tinham passado por tais situações. Ora, os resultados mostraram que, num primeira análise, estas crianças evidenciavam uma menor auto-estima do que aquelas que provinham de famílias nucleares. Numa análise mais fina verificaram que elas manifestavam uma oscilação entre uma auto-depreciação e uma auto-idealização de si próprias, isto é, ou se sentiam cheias de defeitos ou muito apreciadas por todos. De uma maneira geral, elas mostravam mais medo de serem rejeitadas ou de ficarem sozinhas do que as provenientes das famílias nucleares. Estes receios, segundo os autores do estudo, poderiam ser explicados quer pela alteração da relação com o progenitor com o qual a criança não vive, quer pela menor disponibilidade dos adultos em relação a ela, na nova família que passou a integrar. Por isso, eles sugerem que estas crianças necessitam que os seus actos, mesmo os de menor importância, mas se disso forem merecedores, que sejam aprovados e reconhecidos. Normalmente, estamos mais predispostos a apontar o mal que os filhos fazem do que a calar ou a elogiar o bem que eles realizam.  

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