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Pais em tempos de crises: Dormir bem para aprender bem

Mário Freire - 17/10/2019 - 9:16

Duas investigadoras em neurociências da Universidade Lyon, França (Amandine Rey e Stéphanie Mazza), dizem que “o sono é o anjo da guarda das aprendizagens: fortalece a memória, aumenta a atenção, estimula a criatividade e acelera a maturidade do cérebro”. Ora, devido às múltiplas solicitações a que a criança e o adolescente estão sujeitos nos nossos dias, especialmente às que derivam das tecnologias digitais, a falta de sono constitui uma verdadeira epidemia. E no entanto, é o sono que permite ao organismo segregar a hormona do crescimento mas também implicar-se, segundo numerosos estudos levados a cabo nesta área, nos mecanismos da memória, atenção e aprendizagem. 
Num desses estudos, de natureza longitudinal, em que as observações dos mesmos indivíduos foram feitas durante um período alargado de tempo, pôde verificar-se que as crianças que dormiam, em média, uma hora a menos que os seus pares, aos 2 anos e meio de idade, tiveram um desempenho inferior na escola primária. Por outro lado, uma duração de sono inferior a 10 horas por noite em crianças, nos primeiros anos de vida, aumenta o risco de hiperactividade.
Mas não basta a quantidade de sono para se avaliar dos seus benefícios; a sua qualidade, se é tranquilo ou agitado e interrompido, são igualmente factores que interferem no desenvolvimento físico e psicológico da criança.
Para além da relação da quantidade e qualidade do sono com as funções relacionadas com a aprendizagem, ele é, igualmente, um regulador das emoções, traduzindo-se as suas características deficientes numa maior impulsividade e uma menor resistência à frustração. 
Outros estudos mostraram, como os que foram realizados na Universidade de Chicago, que a diminuição do sono em crianças entre os 10 e 14 anos se associa a uma diminuição das suas capacidades mentais e a uma redução da sua criatividade, afirmando mesmo que 80% das crianças com fracos resultados escolares apresentavam deficientes qualidades de sono.
Ora, as crianças e os adolescentes em idade escolar, atraídos pelos ecrãs, especialmente os smartphones, se sujeitos a uma sua exposição prolongada à noite, tal pode traduzir-se quer no prolongamento do tempo para adormecer, quer na redução do tempo de sono, com as consequências já referidas nas aprendizagens. Um alerta, pois, para os pais! 

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