Talvez esta expressão não seja a mais apropriada; ela, no entanto, pretende exprimir uma postura educativa que começou a ter relevo no início deste século e que se inspira nas chamadas teorias do “care”. Segundo estas, o cuidar uns dos outros, que inclui o escutar e o respeitar, seria uma actividade característica da espécie humana. Ora, os que necessitam de mais cuidados são as pessoas vulneráveis e dependentes, como as crianças e adolescentes, os velhos, os doentes… A educação com afabilidade responderia, então, à vulnerabilidade dessas pessoas.
Béatrice Kammerer, diplomada em Ciências da Educação e jornalista, num artigo seu centra este tipo de educação na comunicação não violenta, ou seja, em evitar o uso das palavras como armas, no caso de haver discordâncias. A comunicação não-violenta convida ao abandono dos julgamentos negativos e, em vez disso, faz apelo à empatia, ao colocar-nos no lugar dos outros.
Esta educação, centrada na afabilidade, vê-se confrontada com questões muito concretas dos pais: como obter de uma criança ou adolescente o respeito pelas regras? Como gerir as suas birras, os seus acessos de cólera, a oposição àquilo que lhe é proposto? Ora, muitas das figuras defensoras deste tipo de educação, psicólogos, psiquiatras e outros, consideram que a imaturidade do cérebro nessas idades deveria levar os educadores a lidar com essas manifestações emocionais com uma certa indulgência, propondo intervenções educativas mais de acordo com o que hoje se sabe sobre as neurociências. E estas intervenções passariam por uma “terceira via”, capaz de conciliar os defensores de uma educação autoritária com uma educação permissiva, ode tudo é permitido fazer. Assim, a “autoridade afável” considera o estabelecimento de regras como factor estruturante, reconhecendo, no entanto, aos filhos o direito de serem respeitados, rejeitando as punições baseadas na força e na humilhação. A missão dos pais, segundo esta concepção educativa e seguindo o raciocínio de Béatrice Kammerer, seria a de ajudar os filhos a torná-los eles próprios, tendo em consideração a sua originalidade, a sua individualidade. Haveria, então, que estimular as capacidades, deixá-los manifestar as necessidades e emoções, dando-lhes uma expressão socialmente aceitável. Isso iria proporcionar-lhes uma maior compreensão da maneira de ser dos outros, tornando-os mais empáticos.
Mas, perante um comportamento inadequado dos filhos, três perguntas são sugeridas aos pais: que mensagem está por detrás desse comportamento? O que é que eles estão a tentar dizer? O que é que eles precisam?
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