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Pais em tempos de crises: Ensinar a responsabilidade

Mário Freire - 07/04/2016 - 10:57

Fazer de um filho uma pessoa responsável é uma das principais tarefas educacionais a que os pais são chamados.

Os primeiros modelos dos filhos são os pais. As crianças imitam-nos nas suas atitudes, no modo como arrumam, como interagem com os outros, como cuidam das coisas. E muitos desses comportamentos, adquiridos por imitação, poderão permanecer na vida adulta. É certo que o papel dos pais, nos dias de hoje, encontra-se, em muitas famílias, mais desvalorizado devido à instabilidade de que elas sofrem, ao enfraquecimento dos laços conjugais. Tal não significa que os pais não continuem a constituir, pelo menos na criança, para o bem e para o mal, modelos a imitar.

Mas a responsabilidade também se aprende com as experiências. Quanto mais cedo os filhos aprenderem que têm que sentir as consequências dos seus actos, das suas escolhas, melhor e mais depressa aprenderão a tomar as decisões mais acertadas. Suponha-se que, após terem sido chamados várias vezes à atenção pelo deficiente estudo na preparação de um teste, eles trouxerem para casa uma classificação negativa. Claro que deverão tirar-se as devidas consequências. E estas terão que ser um empenho maior no estudo que se traduzirá, no imediato, por exemplo, em não ver televisão e/ou não ter acesso à internet durante um certo tempo. Estas proibições, para surtirem o efeito desejado, terão que ser proferidas de um modo muito sereno, sem ralhos nem gritos, mas com a firmeza suficiente para que elas sejam cumpridas.

Outro aspecto importante na aprendizagem da responsabilidade é a assunção dos actos que se praticam. Por exemplo se, na brincadeira, um adolescente lança um objecto em direcção a um seu amigo e erra o alvo, indo ele bater numa janela de vidro, quebrando-o. Mais do que ralhar-se, é incentivar o filho a procurar o residente da casa, assumir-se como responsável e os pais pagarem o vidro. Mais do que o dinheiro gasto, a principal lição a retirar é a da honestidade, de assumir os actos que se praticam e em reparar os erros. Os pais poderiam, depois, em relação ao filho, pedir-lhe uma contribuição de parte da mesada que recebem, se ela existir. Ensinar a responsabilidade exige da parte dos pais serenidade, diálogo e firmeza. 

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