Os números da morte da covid 19 estão a entrar diariamente nas nossas casas. Diz-se, depois, que estes números são apenas uma parte daqueles que têm lugar, considerando os que resultam de outras doenças. A morte é, pois, uma realidade à qual nenhum ser vivo pode fugir. Por que razão, então, ela é um tema tabu de que se foge e, mais frequentemente ainda, se esconde esta realidade aos filhos?
Ora, num artigo da revista Visão do passado mês de Junho, abordava-se esse tema. A articulista, Paula Barroso, dizia mesmo que nos últimos dez anos, este tema desapareceu das conversas que temos com as crianças e adolescentes, sendo eles até, normalmente, excluídos das cerimónias fúnebres.
Apresenta-se, então, uma entrevista tida com Cecília Galvão, psicóloga clínica especializada na área da criança e do adolescente. Nela se diz que as crianças a partir dos 7-8 anos não deviam ser afastadas das cerimónias fúnebres, principalmente se se trata de uma missa ou de alguma outra que evoque a pessoa falecida. Estarem connosco quando estamos tristes, vendo-nos, até, chorar, serve para os filhos perceberem que na vida também há momentos dolorosos, de perdas e, por isso, poderem dar maior valor àqueles que com eles convivem.
Por outro lado, a exposição diária ao número de mortes, àqueles quadros com a contagem diária dos casos de covid-19 e as suas consequências, seja de infectados, seja de óbitos, não parece aconselhada às crianças. Esses quadros dirigem-se aos adultos. Conversar sobre a actualidade, no entanto, pode e deve ser um assunto, mas tendo o cuidado de o contextualizar, de modo a minorar o medo que nos filhos possa instalar-se. O medo da morte pode conduzi-los a alguma angústia e trazer-lhes perguntas, relativamente às quais há que lhes dar uma explicação, seja ela de natureza religiosa ou filosófica. Por outro lado, fazer compreender-lhes que “ser crescido é aprender a ter medo e a viver com ele.” E essa aprendizagem deve passar por ele não nos tolher de fazer aquilo que é o bem e o essencial.
O medo é um sentimento que faz parte da humanidade; no entanto, segundo a psicóloga, partilhar as nossas angústias com os filhos não é aconselhável, pois eles têm que sentir segurança nos pais.
Há que ensinar-lhes que o sofrimento faz parte da vida e privá-los de certas circunstâncias sofredoras é contribuir para os tornar adultos imaturos e que “em situações de tristeza, não estão lá quando o outro precisa porque não sabem sofrer”.
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