Passou há cerca de duas semanas, num dos canais por cabo, um debate sobre a família. O moderador começou por apresentar alguns dados estatísticos. Assim, em Portugal, em 1960, houve 740 divórcios; em 1997, 13.927 divórcios e em 2017, 22.340 divórcios. Além disso, se no ano de 2000 existiam 270.588 famílias monoparentais, este número passou para 439.787, em 2017. Por outro lado, relativamente ao número de bebés apenas com mãe, foi referido que, em 2015, existiam 352 e em 2016 esse número se elevara para 837.
Seguiu-se uma discussão em que os intervenientes no debate consideraram que estes números traduzem uma nova maneira de ser da família, uma sociedade mais aberta à diversidade e à liberdade individual. As novas formas de família e a família tradicional, com pai, mãe e filhos sob o mesmo tecto, foram colocadas em pé de igualdade. Um dos intervenientes ainda chegou a referir que a família tradicional era a mais natural. Ao pedido do interlocutor que justificasse essa afirmação, aquele passou-lhe à volta, não vindo a responder-lhe.
Afinal, o que é a família natural? Ela é, a meu ver, aquela que mais conforme está com a Natureza e que, apesar da diversidade cultural, se distribui maioritariamente pela humanidade e é constituída por marido e mulher, com um vínculo afectivo suficientemente forte e estável entre ambos e que é capaz de fazer face quer às turbulências da vida, quer a que melhor propicia as condições para o desenvolvimento e educação dos filhos, biológicos ou adoptados. Este é, igualmente, o tipo de família tradicional.
A família é o pilar fundamental da sociedade. É nela, em primeira instância, que nos refugiamos quando somos atingidos por uma fatalidade. É a família que supre as carências de ordem social, principalmente nos Estados em que a protecção social não existe ou é deficiente. Claro que há famílias de tipo tradicional que não funcionam e, nos tempos que correm, múltiplas e severas são as ameaças que sobre elas recaem.
As pessoas têm a liberdade de organizar o tipo de família que mais desejarem. Podem duas mulheres ou dois homens viverem em conjugalidade e a lei portuguesa até já faculta casais homossexuais adoptarem crianças. Tal não impede de se considerar que o que a lei permite nem sempre esteja em conformidade com a Natureza, nem contribua para um melhor desenvolvimento da pessoa. A liberdade individual, embora estruturante na condição humana, não é o valor único a que nos devemos subordinar.