É tempo de Natal, tempo em que se celebra o nascimento de Jesus Cristo. E o nascimento de Jesus veio a ser um marco para a humanidade. Ele marcou a História quer para os que crêem ou não Nele como filho de Deus. Ele disse que vinha “causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra…” (Mateus 10,35). De certo modo, Ele é um perturbador pois a sua mensagem de amor, justiça e paz, mas, também de denúncia da hipocrisia, da mentira e dos que usam o poder para explorar os mais fracos e marginalizados suscitam a oposição e o ódio de muitos. Ainda, nos dias de hoje, assistimos à perseguição de cristãos e de todos aqueles que, não partilhando a fé cristã, defendem aqueles valores pelos quais Jesus Cristo viveu e morreu.
Mal comparado, diria que o nascimento de um primeiro filho é, igualmente, um perturbador na vida de um casal e põe à prova o amor entre marido e mulher. Com esse nascimento, reconfigura-se a vida do casal de uma maneira irreversível, introduzindo-lhe mudanças para sempre. De imediato, a prestação de cuidados ao bebé, a conciliação da nova situação com a vida profissional de cada um dos pais, a privação de sono e o cansaço, o aumento das tarefas domésticas, a ansiedade acerca dos novos papéis e responsabilidades, a possibilidade de constrangimentos financeiros… eis algumas das ocorrências que, surgindo, podem provocar dificuldades no relacionamento dos cônjuges.
Segundo um documento do Instituto de Psicologia Cognitiva da Universidade de Coimbra (“Adaptações psicológicas à gravidez e ao nascimento de um filho: percursos e contextos de influência”), essa nova criança vai fazer aparecer o que se denomina de “tarefas desenvolvimentais” específicas que, se forem superadas com sucesso, conduzirão à adaptação e ao sucesso de outras tarefas, vindas posteriormente.
Marido e mulher, que viviam apenas uma relação de conjugalidade, passam agora a assumir mais uma nova relação, a da parentalidade. São novos papéis e funções a desempenhar por cada um. E a modificação por que passam as suas vidas, nomeadamente a emocional, implica que cada membro do casal se descentre de si para estar atento às necessidades do outro, ajudando-o a lidar com uma nova realidade. “Ser pais, continuar a ser casal”, diz o Documento. Por isso, principalmente nesses primeiros tempos, a muita paciência e a comunicação entre marido e mulher há-de encontrar novos equilíbrios de modo a tornar este ciclo da vida cheio de aspectos únicos, inesquecíveis e gratificantes.
Feliz Natal!