Constitui-se em França, em 2009, um grupo fechado no Facebook (Liga do Lol) composto por homens parisienses e com formação académica superior, que usava as redes sociais para assediar e perseguir ‘online’, e por vezes, “na vida real”, várias pessoas, principalmente mulheres, nomeadamente feministas, jornalistas e ‘bloggers’ do sexo feminino.
Este caso veio descrito no jornal Expresso, no passado mês de Fevereiro (2019) e foi denunciado por uma investigação jornalística do diário francês Libération, em que uma dúzia dos participantes daquele grupo era jornalistas de várias publicações, incluindo do próprio Libération. Todos eles foram suspensos ou afastados das respectivas actividades. Esta história verídica, mostrando uma arrogância sexista masculina, evoca os estereótipos relativos ao sexo que ainda existem, seja a nível individual, seja a nível institucional, e que se traduzem no facto de se ter nascido homem ou mulher, se facilita ou se está impedido do exercício de determinadas funções ou de se alcançarem determinados níveis salariais.
É certo que o homem, considerado individualmente, tem na sua grande maioria, mais força física do que a mulher. Ora, infelizmente, alguns há que, valendo-se dessa capacidade, exercem sobre a mulher violências, muito especialmente no ambiente doméstico.
Acontece, porém, que na sociedade tecnológica em que vivemos, a força física deixou de ser o factor discriminador entre as diferentes actividades desenvolvidas; é o conhecimento que faz a diferença e dita o poder. Cada vez mais se assiste ao aparecimento da mulher com maiores qualificações no mundo do trabalho. No entanto, segundo a “Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego”, de uma forma generalizada, as mulheres ganham menos do que os homens para realizarem trabalho igual ou de valor igual. As causas para as disparidades salariais entre homens e mulheres são múltiplas. Destacaria uma que, não sendo das mais evidenciadas na comunidade, é determinante para essa igualdade de oportunidades entre os sexos: o das escolhas escolares e profissionais que se fazem. Com muita frequência, as mulheres continuam a preferir os estudos mais relacionados com as ciências humanas do que os homens, escolhendo estes mais os de natureza tecnológica. Trata-se de uma constatação em que vale a pena reflectir: o de que a diferenciação de competências no domínio do conhecimento irá ter, na sociedade digital em que vivemos, independentemente do sexo, reflexos a vários níveis. E o da igualdade de oportunidades entre homem e mulher é um deles.
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