Na revista “Sábado”, em Novembro de 2017, saiu uma entrevista com a psicóloga brasileira Rosely Sayão, a qual vinha encimada com o título “Educar bem é saber dizer ‘não’ aos filhos”.
Este “saber dizer não” exige sabedoria pois ele tem que ser adequado à idade e grau de maturidade dos filhos. Não pode dizer-se “não” a uma criança de dois anos, que faz uma birra por querer o boneco que vê numa montra, da mesma maneira que a um adolescente que deseja sair à noite, a meio da semana, e que regressa a casa de madrugada, quando tem um trabalho escolar a apresentar no dia seguinte. Em ambos os casos, a serenidade tem que ser uma constante no comportamento dos pais. Se no primeiro, não serão necessárias explicações, apesar do choro que porventura haja, já no segundo, há que dialogar, fazer apelo à responsabilidade, mostrar os inconvenientes, sem ralhos nem castigos.
O título da entrevista subentende a dificuldade que muitos pais têm em dizer “não” a certos desejos dos filhos. E porquê?
A psicóloga responde: “hoje a proximidade entre pais e filhos é intensa, mas eles não se conhecem, de facto. Optam por monólogos em vez de diálogos. Só ouvem o que os miúdos pedem. Olham em primeiro lugar para si e o filho é fruto de um desejo.” Mas desejar ter um filho não significa satisfazer-lhe todos os seus desejos mas, sim, vê-lo como pessoa. Tentando sempre agradar-lhes, abstêm-se do papel de pai e de mãe; por isso, dizem muitos estudiosos, que estamos a criar gerações de órfãos. “Quem pensa que o filho não quer autoridade, engana-se”, diz Rosely Sayão.
Ela refere que muitos pais, hoje, têm um comportamento GPS, isto é, constantemente estão a dizer aos filhos o que devem ou não fazer, impedem ou dificultam-lhes o confrontarem-se com as contrariedades dos percursos que estão percorrendo. Mas é neste confronto que se constrói a resiliência, a capacidade de resistir às adversidades que a vida nos traz.
Ora, “os pais têm de ser uma bússola, dar o Norte, porque quem consegue identificar aquele ponto cardeal, sabe localizar as outras direcções e fazer as suas escolhas”, diz a psicóloga. E é neste dar o Norte que ocorre, frequentemente, o dizer “não”. Mas dar o Norte é também estar com os filhos sem ficar preso ao telemóvel; é criar vínculos, diálogos e laços importantes e tudo isto os ajudará a adquirir a autonomia que lhes possibilitará fazer as escolhas mais adequadas.
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