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pais em tempos de crises: O que valorizamos numa relação?

Mário Freire - 12/12/2019 - 9:31

Num artigo do “Observador” já de há algum tempo, de Pimenta de Brito, fazia-se, entre outras, a pergunta que serve de título a esta crónica. 
Neste quase final da segunda década do século XXI, em que a tecnologia, de uma forma omnipresente e instantânea, nos liga uns aos outros, em que nunca como agora houve tanta igualdade entre os sexos, em que a mulher toma igualmente a iniciativa em conhecer a outra parte, será que a qualidade das nossas relações melhorou, estamos mais perto uns dos outros? Como é que os jovens e os adultos procuram o amor? Hoje ainda se namora? O “online dating”, o namoro via digital, proporcionado por aplicações de telemóveis que permitem conhecer outras pessoas, parece não ser um facilitador que ajude a encontrar uma pessoa que queira uma relação, principalmente uma que seja de longo prazo. Afinal, o que é que valorizamos numa relação? 
De acordo com a professora Kerry, da Universidade de Boston, citada naquele artigo, há que questionar a ideia de que as primeiras impressões, de natureza física, que se têm de uma pessoa são as que mais devem interessar. Ora, é preciso ser um pouco mais céptico sobre essas primeiras impressões; muitas delas traduzem insegurança ou carência e acabam em desilusão. Perdeu-se hoje a arte do “dating”, como ela refere; as pessoas solteiras sentem uma enorme dificuldade em encontrar um romance genuíno. Há como que uma obsessão pelo contacto físico imediato. 
Claro que não se pretende, com as tecnologias hoje disponíveis, voltar às cartas de amor e aos bailes em que as mamãs acompanhavam as suas filhas. O que acontece é que temos pessoas a sofrer porque sentem que fazem o que não querem, mas não sabem como fazer diferente. Contudo, continua-se a ter um profundo desejo de amar e ser amado. Muitas dessas pessoas, sendo filhos de pais divorciados, pretendem encontrar relações estáveis, não sabendo, no entanto, como o conseguir. 
Afinal, o que valorizamos numa relação, sem que disso, por vezes, possamos ter consciência? Talvez o encontro com alguém que nos compreenda, que nos aceite, com as nossas virtudes e defeitos e que possa partilhar connosco um projecto de vida comum.

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