Foi notícia no final do passado mês de Dezembro que, pela primeira vez na história das Forças Armadas Portuguesas, uma mulher tinha ascendido ao posto de general. Se até 1974 estava vedado às mulheres o exercício de determinadas funções (magistratura, forças armadas…), este facto mostra que homens e mulheres, por serem diferentes nalgumas das suas características, não têm que desempenhar papéis diferentes na sociedade. Esta circunstância, indo contra estereótipos sexistas, alarga os horizontes profissionais e faz diminuir as diferenças estereotipadas das profissões. Entretanto, outro conceito começou a ter relevância na sociedade contemporânea e hoje, mais do que em “sexo”, se fala em “género”.
Ora, na IV Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres, Pequim, em Setembro de 1995, foi definido que “o sexo de uma pessoa é determinado pela natureza, mas o seu género é elaborado pela sociedade”. Aquilo que somos resulta, então, não só das construções sociais que fazemos mas, também, do que biologicamente nos determina. No entanto, comportamentos há que só o sexo os impõe. Ser mãe é diferente de ser pai. Só a mãe pode dar de mamar o seu próprio leite ao filho o que não significa que seja mais apta que o pai a mudar as fraldas pelo facto de ser mulher. Muitas das supostas características femininas ou masculinas, como já foi dito na crónica anterior, não são mais do que construções sociais.
Por outro lado, há casos de androginia e transexualidade. Estas são excepções e têm que ser consideradas como tais. Embora possa dizer-se que já é possível “escolher” ou “mudar de sexo”, negar que a biologia está na base daquilo que somos é negar a realidade.
Resumindo, se o conceito de género veio proporcionar um maior desenvolvimento ético da sociedade, fazendo tomar consciência de que muitas das supostas características femininas ou masculinas não são, afinal, mais do que construções sociais, ele não pode (não deve) sobrepor-se à matriz biológica em que assenta a nossa humanidade.
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