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Pais em tempos de crises: O suicídio na adolescência

Mário Freire - 13/02/2020 - 9:20

Num artigo do jornal Público de 10 de Outubro de 2019 pode ler-se que “quarenta e seis jovens suicidaram-se, mais quinze do que em 2016, num ano em que os óbitos por este motivo aumentaram também na população em geral (1061, no total)”. 
A seguir aos acidentes de viação, o suicídio é a segunda causa de morte entre os jovens dos 15 aos 29 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) num relatório divulgado em Setembro de 2019. A OMS recordou, ainda, que a taxa de suicídio é mais elevada nos países de maiores rendimentos.
Por outro lado, alargando a todas as faixas etárias, todos os anos morre um milhão de pessoas por suicídio no mundo, significando isto uma morte a cada 40 segundos, sendo a taxa maior nos homens do que nas mulheres. Em paralelo com estes dados, há a ocorrência, segundo aquela fonte, entre 10 a 20 milhões de tentativas de suicídio por ano. Por cada pessoa que morre, outras vinte tentaram a mesma finalidade.
Estes números são difíceis de digerir, não são agradáveis de comentar mas não deixam de constituir uma realidade cruel que pode ocorrer nas famílias. 
Centrando-nos na adolescência, a psiquiatra Giorgia Matos identifica diferentes causas que podem conduzir um adolescente a tentar o suicídio. De entre elas, seleccionaria as duas que ela coloca à cabeça: a depressão e os problemas familiares.
Relativamente à primeira, ela manifesta-se por o jovem deprimido preferir ficar sozinho, não sair com os amigos, ter sentimentos de grande tristeza e solidão e em que a internet ali está à sua disposição para escolher o modo mais suave de o cometer. Não ter um bom amigo para conversar, que compreenda as suas dificuldades pode tornar difícil de suportar-se.
A outra causa seleccionada de grande relevância é a existência dos conflitos familiares. “São eles os grandes vilões”, como diz a psiquiatra. Pais dominadores, agressivos, que estão em constante conflito quer com o cônjuge, quer com os filhos, ou então, serem negligentes e ausentes, não se interessando por eles. Tudo isto pode proporcionar um crescimento psicológico desestruturado da criança e do adolescente, com consequências imprevisíveis.
O suicídio, especialmente na adolescência, é um tema amaldiçoado, quase tabu. Por isso, ele não deve ser omitido.

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