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Pais em Tempos de Crises: O testemunho sofrido de um adolescente

Mário Freire - 30/03/2017 - 11:34

O Jornal “Público” de 28 de Fevereiro do ano passado trazia um pequeno excerto de uma carta de um adolescente. Dizia o excerto: “É por isso que estou aqui… para a Dra. me ajudar a habituar à ideia de que os meus pais estão separados. Mas eu não sei se algum dia vou conseguir…”
Ora, a separação dos pais constitui sempre um acontecimento traumático para um filho; e essa separação será tanto mais angustiante quanto mais os pais tentarem implicar os filhos no processo em que estão envolvidos. A separação associa-se, psicologicamente, a uma falta de segurança e o sentimento de perda que se lhe junta manifesta-se em tristeza. Afinal, trata-se de um luto a que a criança ou adolescente tem que fazer face, ocorrendo, frequentemente, sentimentos de raiva, hostilidade, solidão, ansiedade...
Duas situações distintas podem, então, ocorrer e, cada uma delas, irá condicionar a ultrapassagem desta fase de luto dos filhos. 
Numa, a desejável, os pais, apesar de separados, sentem como objectivo comum ajudarem os filhos a adaptarem-se à nova situação. Os filhos continuam a ver neles os pais que estão juntos na ajuda dos seus problemas, que dialogam entre si na sua função educacional, acompanhando-os e propondo-lhes caminhos de esperança. Situações deste tipo menorizam o impacto da separação e os filhos poderão, depois, retomar a sua via de desenvolvimento psicológico normal. 
Bem diferente e, infelizmente, mais frequente, são os casos em que os pais não se inibem, perante os filhos, de tornar ainda mais dolorosa a sua separação, envolvendo-os nos seus conflitos e impedindo-os de fazer o luto da separação. Esta, em vez de pôr termo às disputas que vinham da união que existia, pode dar origem a novas disputas onde os filhos são armas de arremesso de um ex-cônjuge contra o outro. Estas situações acarretam à criança ou adolescente um enorme sofrimento pois vê-se dividido por um pai e uma mãe que se digladiam e que estão mais interessados nos seus problemas do que na resolução dos problemas dos filhos. E estes, vítimas dessas disputas, serão afectados no aproveitamento e comportamento escolares, no absentismo, na agressividade… e deixarão neles, por vezes, as marcas da separação dos pais para toda a vida.
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