O idadismo é a atitude preconceituosa e discriminatória com base na idade, sobretudo em relação às pessoas idosas. Esta atitude traduzir-se-ia em considerar as pessoas velhas como estando sempre doentes, com fraca capacidade mental, sem sexualidade, que já não conseguem trabalhar, com um grande conservadorismo, agirem como crianças, enfim, serem um peso para a sociedade.
É certo que a idade trás limitações e muitos idosos evidenciam estas e outras características que os inibem de ter uma vida plena. Porém, muitas pessoas de idade há, algumas até com limitações de saúde, que têm actividades em vários domínios da sociedade. Por outro lado, é possível encontrarem-se jovens com aquelas características de fragilidade atribuídas aos velhos. Por isso, a generalização a todas as pessoas idosas dos défices físicos e mentais é que parece abusiva, caindo-se, neste caso, no estereótipo do idadismo. Note-se que este, na Europa, segundo estudo recente, aparece em 3º lugar (42%) no que se refere às discriminações, ficando atrás da religiosa e da deficiência, mas à frente do sexismo (39%). É sobretudo no jovem adulto que o idadismo é mais evidente, mas desde a idade dos três anos que ele é perceptível.
Ora, os estereótipos em relação à idade têm suscitado vários estudos de natureza académica e eles assumem uma grande importância numa sociedade em que as pessoas têm cada vez mais tempo de vida.
Assim, um desses estudos foi publicado recentemente, oriundo da Universidade de Liège, Bélgica, com 1151 crianças e adolescentes entre os 7 e 16 anos, pertencentes quer a áreas urbanas e rurais, quer a vários estatutos socioeconómicos. Perguntou-se aos jovens, entre várias situações, sobre a frequência e o tipo de contacto que mantinham com os avós. Um dos resultados da pesquisa que maior interesse despertou, e que influencia a visão dos jovens sobre os idosos, foi a qualidade do seu contacto com os avós, assumindo esta maior relevância do que a frequência com que se encontram.
O estudo caracterizou o contacto dos jovens como bom ou muito bom quando eles partilhavam com os seus avós experiências e memórias e se sentiam bem junto deles. Estes mesmos inquiridos cujo contacto com os avós era descrito como bom ou muito bom tiveram, igualmente, sentimentos mais favoráveis em relação aos idosos do que aqueles que descreveram o contacto de forma menos positiva.
Vê-se, pois, com este estudo, como uma boa relação dos avós com os netos pode contribuir para mudar a mentalidade da sociedade em relação aos velhos.