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Pais em Tempos de crises: Os híper-pais

Mário Freire - 31/10/2018 - 10:09

O jornal francês “Le Monde” publicou em Janeiro passado um artigo da psicóloga clínica Beatrice Copper Royer, especializada na infância e adolescência, a que deu o título de “Os híper-pais”.
O que seriam, então, os híper pais? Eles seriam, utilizando as palavras da autora, “os pais que fazem muito: muita vigilância, muitas exigências, muitas expectativas, muita pressão, em suma, o suficiente para levar à exaustão todos: pais e filhos.”
Ora, vários factores, segundo a articulista, intervêm nesta lógica de perfeição. Assim, um filho, de uma maneira geral, só nasce quando os pais entendem que estão reunidas as condições para o acolher. Mas um recém-nascido não é apenas sorrisos. É também noites sem dormir. E muitas são as mães (70-80 por cento) que experimentam o “baby blues”, isto é, sentimentos negativos, de tristeza, ansiedade, impaciência…, após o nascimento de seu filho. Houve, pois, algum sofrimento e muito investimento físico e psicológico para se criar um filho.
Por outro lado, há os constantes alertas sobre os perigos de vária ordem que espreitam os filhos e dos quais é necessário protegê-los. Daí pode decorrer da parte dos pais uma angústia, uma ansiedade que recai sobre as crianças e, até, adolescentes, exercendo sobre eles um controlo. “Eles confiam pouco em terceiros e, por vezes, até desconfiam de seus mais próximos…”, diz Béatrice Royer. E eis que as novas tecnologias cá estão para ajudar a satisfazer essa necessidade de controlo.
Ora, educar é preparar paulatina e progressivamente a criança e o adolescente para a autonomia. E esta preparação exige que não se pressionem demasiadamente os filhos para a perfeição, tentando satisfazer as expectativas dos próprios pais que, nem sempre, são as que mais se adequam à personalidade dos seus filhos.
Os pais não podem ficar ansiosos nem transmitirem essa ansiedade aos filhos pelo facto destes não corresponderem àquilo que eles desejariam que fossem. Cada um tem o seu ritmo e sentido de crescimento. Além disso, diz Béatrice Royer, há que confiar: em primeiro lugar, neles próprios, pais, apesar de algumas vezes falharem; depois, nos filhos, mesmo que eles, por vezes, os desapontem; finalmente, nos seus próprios pais, se tiverem a felicidade de ainda os ter, pois eles poderão dar aos netos o carinho e a segurança que contribuirão para os robustecer psicologicamente e se tornarem adultos válidos na sociedade.
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