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Pais em Tempos de Crises: Os papéis parentais nos dias de hoje

Mário Freire - 30/07/2020 - 9:18

Há uma ideia que é fundamental definir-se, quando se fala da relação entre os filhos e as figuras parentais. E essa ideia é a de “vinculação”. Há uma relação de vinculação quando existe uma forte ligação afectiva da criança com uma ou mais figuras estáveis da sua vida. Esta relação começa a construir-se desde os primeiros meses de vida e tem por base as interacções que a criança estabelece com essas figuras.

Por norma, a mãe tem sido considerada a figura principal nessa vinculação da criança, razão pela qual os estudos se centravam, fundamentalmente, na relação mãe-filho.

Num artigo do Diário de Notícias de Janeiro passado, a psicóloga Rute Agulhas debruçava-se sobre o papel do pai na relação com os filhos, comparando-o com o da mãe, procurando saber de que forma a criança se vincula, ou não, a um e a outro e, ainda, se existem diferenças na qualidade da relação de vinculação mãe-criança e pai-criança.

Ora, a figura paterna continua a ser vista como de vinculação secundária. É certo que os pais tendem a apresentar algumas diferenças no modo de interagir com os filhos, quando comparados com o das mães. Estas estão associadas mais à prestação de cuidados, enquanto que os pais às actividades de natureza lúdica. Embora estes modos diferentes de estimulação da criança vindas de cada um dos pais seja benéfica, cada vez mais se vai assistindo a uma diminuição progressiva destas diferenças. Tal diminuição deve-se às alterações que se verificam na sociedade, a um maior relevo do papel da mulher na sociedade de hoje. E isso origina uma nova forma de viver os papéis do pai e da mãe no seio da família. Quantas vezes é a mãe a primeira a sair de casa e a última a entrar e ser o pai a levar a criança à escola, a dar-lhe o jantar e a deitá-la?! E por tal acontecer, não significará ela ficar mais mal cuidada!

Considerar a figura do pai como de segunda categoria é retirar competências ao homem e subentender que as suas interacções com os filhos são de menor qualidade. Esta constatação, “corroborada pela literatura científica, deverá ser tida em conta na definição de políticas públicas em matérias relativas à parentalidade como, por exemplo, licença de maternidade e paternidade ou regime de convívios com a criança em caso de separação ou divórcio”, segundo a psicóloga Rute Agulhas.

A sociedade está a mudar e os papéis do pai e da mãe, igualmente, terão que acompanhar esta mudança. O que irá contar para o desenvolvimento da criança, afinal, é o ambiente de tranquilidade vivido em casa e a estimulação que pai e mãe, de maneiras diferentes, certamente, poderão proporcionar-lhe.

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