Teve lugar no passado dia 15 de Março uma manifestação de jovens, a grande maioria dos ensinos básico e secundário, contra as medidas leves tomadas pelos políticos, relativamente às alterações climáticas. Ora, esta manifestação teve o ineditismo de ser a nível planetário. Segundo o jornal “The Guardian”, ela estendeu-se do Extremo Oriente (Japão, Coreia do Sul, Índia…), passando pela Austrália, Nova Zelândia, Irão, a maioria dos países da Europa, Portugal incluído, até à América do Norte (pelo menos 16 Estados) e América do Sul (Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e Brasil).
Esta manifestação de protesto, sob a forma de falta às aulas, teve como lema “fazer greve por um clima seguro” e foi originada a partir de uma série de manifestações semanais iniciadas em 2018 pela sueca Greta Thunberg, de 16 anos e transmitidas para todo o mundo através das redes sociais. Foi a partir de Agosto de 2018 que ela rapidamente ganhou notoriedade por iniciar a primeira greve escolar pelo clima, às portas do parlamento sueco. Em Dezembro passado dirigiu-se à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e em Janeiro de 2019 foi convidada para falar no Fórum Económico Mundial em Davos.
Este fenómeno juvenil torna evidentes várias características dos tempos que vivemos. Assim, uma só jovem, no espaço de menos de seis meses, consegue mobilizar milhões de jovens, em todo o mundo, para fazer uma manifestação, num mesmo dia. Por aqui se vê o impacto que as redes sociais têm nos nossos dias.
Depois, essa mobilização é feita por uma causa justa: o impacto que as alterações climáticas já têm mas que virão a ter, cada vez mais, nas suas vidas. Como será a sua qualidade quando chegarem a adultos ou a velhos?
Esta “greve” dos jovens, a maioria, menores de idade, é um alerta para todos nós. Em primeiro lugar para os decisores políticos a fim de tomarem medidas rápidas e eficazes no sentido de forçarem a mudança para um modelo de desenvolvimento menos consumista. Depois, para as indústrias poluentes, no sentido reconverterem as suas tecnologias. A seguir, há um alerta para o cidadão comum para que se vá habituando a viver sem o supérfluo; neste campo, os jovens terão que ser coerentes com as suas tomadas de posição e não terem comportamentos que impliquem gastos em actividades ou objectos que poderiam evitar-se. Finalmente, vêm os pais, esses modelos que os filhos, para o bem e para o mal, imitam. Os seus comportamentos, quer no uso da água, no tipo de alimentos, no vestuário…, quer na utilização de materiais, mais ou menos dispensáveis, serão por eles provavelmente replicados.