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Pais em Tempos de crises: Para uma educação com mais ar livre

Mário Silva Freire - 26/05/2022 - 9:24

Actualmente a população infantil é marcada pela falta de actividade física e contacto com o mundo exterior, na escola ou em casa; as crianças movem-se pouco e pouco contactam com a Natureza.
Ora, Matthieu Chéreau, autor francês, discorreu num dos seus últimos trabalhos, “A Criança na Natureza”, sobre o impacto do sedentarismo e da falta de contacto com o ambiente natural no desenvolvimento cognitivo das crianças, mas também na sua saúde e no seu desenvolvimento motor. 
Ele refere, em termos de motricidade, por exemplo, que a falta de brincadeiras ao ar livre pode estar associada a dificuldades para as crianças manterem o equilíbrio, correrem sem cair. Alguns estudos mostram que um estilo de vida sedentário também afecta a visão das crianças. Problemas respiratórios também foram observados. Esses impactos têm um custo. A revista médica “The Lancet” estimou que os problemas de saúde ligados à falta de actividade física seriam de cerca de 67,5 mil milhões de dólares, em 2013.
Um dos objectivos do livro de Matthieu Chéreau é, precisamente, o de divulgar as pesquisas que existem sobre o assunto, consciencializar os pais e professores mas, também, mostrar aos políticos até que ponto o sedentarismo nas crianças lhes é prejudicial. Em alguns países, como a Dinamarca, essa consciencialização já não é nova. A Natureza há muito foi considerada como um campo de inovação educacional. Outro exemplo é o do Reino Unido em que foram tomadas medidas para incentivar o ensino fora da sala de aula, com saídas semanais. Aliás, os professores recebem formação para desenvolverem práticas pedagógicas nesse sentido.
As crianças hoje já não sobem às árvores; muitas vezes são proibidas de correr nos pátios dos recreios e qualquer pequeno obstáculo é removido. “Brincar ao ar livre ensina as crianças a aprenderem a lidar com o risco; sem isso, estarão mal preparadas para lidar com a vida profissional”, disse Judith Hackitt, antiga Presidente do “Health and Safety Executive”, a agência do Reino Unido responsável pela regulamentação e segurança no local de trabalho e pela pesquisa sobre riscos ocupacionais.
A nossa cultura, diz Matthieu Chéreau, está muito focada na higiene e segurança, não deixando espaço suficiente para o desenvolvimento da criança. E refere, depois, que “higiene e segurança são um pouco como a mesma luta, a de risco zero.” Acontece que abraçar novos desafios, muitas vezes, acarreta algum grau de risco; uma criança para aprender a andar de bicicleta, corre algum risco de cair. Este risco raramente pode ser completamente eliminado sem comprometer a aprendizagem. A gestão de risco é, pois, um acto de equilíbrio entre as oportunidades para aprender e brincar e a segurança - ou, dito de outra forma, entre os custos e os benefícios. E é esse equilíbrio que se exige dos pais, professores e, até, dos políticos. 

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