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Pais em tempos de crises: Pessoas idosas e políticas de natalidade

Mário Freire - 15/04/2021 - 9:20

A Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia apresentou em Agosto do ano passado um conjunto de reflexões sobre o envelhecimento e as pessoas idosas.
Nele se fala no envelhecimento da população e no aumento da esperança média de vida como uma conquista civilizacional, muito especialmente se esse envelhecimento e essa maior longevidade se fazem com qualidade. Para isso, muito ainda há a fazer para considerar que vale a pena viver mais tempo. Um dos aspectos a ter em conta é do combate à discriminação pela idade, o idadismo. O envelhecimento é tanto mais notado e, por isso, discriminado, quanto maior for o número de pessoas idosas e menos visíveis forem as políticas que valorizam quer as famílias que têm filhos, quer as que promovem a natalidade.
É certo que se vai assistindo ao aumento do número de casais que, por comodismo, não desejam ter filhos porque estes irão tolher a sua liberdade. Além disso, o foco na carreira profissional e os vínculos precários que caracterizam muita da conjugalidade dos nossos dias, não são facilitadores da natalidade. No entanto, a falta de políticas que a incentivem, que protejam a gravidez e a maternidade, que não discriminem negativamente na sua carreira a mulher que deseje ser mãe, conduzem a este já chamado “inverno demográfico”. Essas políticas, transversais a vários sectores do funcionamento da sociedade, deveriam ser coordenadas por um ministério dedicado exclusivamente à família. Nele, todos os aspectos económicos e sociais, da habitação ao emprego, passando pelas creches, jardins-de-infância, apoio às empresas no sentido da maternidade não ser um entrave à progressão na careira, benefícios fiscais…, enfim, incentivos de vária ordem, a nível central e local, teriam que ser levados a cabo. 
Sem fazer juízos sobre as opções de cada um, no que se refere à paternidade e maternidade, haveria que dignificar e valorizar o ser pai e o ser mãe, com todas as responsabilidades que daí advêm. 
Sem crianças, as gerações não se renovam; há que valorizar as famílias que têm filhos. Se nada for feito, continuar-se-á a proceder como se as crianças constituíssem um “encargo” e um obstáculo ao nosso sucesso ou à nossa comodidade, e os mais velhos um “custo” para a sociedade.
Sejamos optimistas e esperemos que este “Plano de Recuperação e Resiliência”, de que tanto se tem falado, e as verbas nele consignadas às famílias, possam contribuir para que estas possam crescer em quantidade e desenvolver-se em qualidade. 

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