Em matéria de idade, os tempos em que vivemos são bastante contraditórios. Assim, muitos pais desejam que os seus filhos pareçam ter mais capacidades do que aquelas que são próprias das suas idades; no entanto, eles próprios, pais, pretendem ser mais novos do que aquilo que realmente são. Por outro lado, enquanto a criança espera com impaciência o dia dos seus anos, é com alguma amargura que os pais vêem a data dos seus aniversários aproximarem-se.
Passando para a vida profissional, assiste-se ao estabelecimento de duas categorias: os juniores e os seniores. Parece que, no mundo do trabalho, ou se é jovem ou já demasiado velho. E esta última condição está bem patente quando as empresas fazem reestruturações, colocando os que estão na plenitude das suas capacidades na situação de desempregados.
Assiste-se àquilo a que os filósofos Éric Deschavanne e Pierre-Henri Tavoillot, num artigo intitulado de “Uma crise da idade adulta?”, deram o nome de “jovenismo”. Este traduzir-se-ia não só na complacência mas, também, na valorização de tudo o que é jovem, em contraposição à desvalorização da velhice.
Ora, as idades, segundo estes autores, não caracterizam estados ou papéis mas processos. Assim, na infância, passa-se a querer sair dela; na juventude fazem-se as experiências para a entrada na idade adulta; nesta tentar-se-ia aprofundar a maturidade a qual iria prolongar-se e alargar-se até ao final da vida. Os últimos tempos da idade adulta constituem a velhice. Seria a maturidade, então, que determinaria a maior parte do tempo das nossas vidas. Afinal, em que é que ela consistiria?
Continuando a citar os filósofos, ela seria definida pela experiência – a relação da pessoa com o mundo; pela responsabilidade – a relação da pessoa com os outros; pela autenticidade – a relação da pessoa consigo própria.
Ser experiente, mais do que ter visto ou feito tudo, é ser capaz de fazer face nem ao que não viu nem ao que não fez, isto é, às situações novas e excepcionais.
Ser responsável é assumir os seus próprios actos mas, também, assumir obrigações para com outros, principalmente os mais frágeis.
Ser autêntico é ter a coerência entre o que se pensa, o que se diz e o que se faz. Não é fácil ser-se autêntico, nesta sociedade em que há ameaças de vária ordem, se criaram múltiplas necessidades e em que os interesses se sobrepõem aos princípios.
Enfim, tentar dar forma à maturidade, tal como é definida e caracterizada por Deschavanne e Tavoillot, é um desafio para todos nós, que estamos na idade adulta, e uma luz que pode iluminar os pais no seu papel de educadores.
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