Num artigo recente, escrito por um sociólogo e por um psicólogo franceses (Dortier e Marmion), abordam-se os diferentes significados que tem a expressão que intitula esta crónica, atribuída ao filósofo Nietzsche. Esta frase, a partir daquele artigo, suscitou muitos comentários. Em que medida ela pode ser aplicada à educação e pode servir os educadores?
Um dos significados que aqueles dois autores lhe atribuem é o de pretendermos saber quem somos e o que queremos fazer. Estas são as questões que, em regra, se colocam a um jovem que, quando chega a altura adequada, tem que escolher um rumo para a sua vida.
Um outro significado é o que eles denominam de “heróico”, isto é, o de possuirmos um potencial enorme de capacidades dentro nós e que apenas espera ser libertado. Muitos dos livros de auto-ajuda partem deste pressuposto.
Uma outra significação, mais comedida, seria o de admitirmos que temos qualidades e defeitos, tomando consciência deles para melhorarmos as nossas capacidades, mas assumindo a nossa condição humana de falibilidade.
A frase em título e as diferentes interpretações feitas pelos autores franceses podem relacionar-se com o desenvolvimento da pessoa.
Ora, este desenvolvimento passa pelo conhecimento de si próprio. Mas, quem melhor do que os pais está em condições de ir revelando aos filhos os seus pontos fortes e fracos, incentivando-os nos seus insucessos e moderando-os nos seus excessos? É a partir desses altos e baixos da vida, do modo como com eles se lida e se é ensinado a lidar, que se vão conhecendo as capacidades e se constroem os valores.
Por outro lado, o desenvolvimento pessoal implica ampliar capacidades, aprofundando mais umas do que outras, de acordo com os conhecimentos que se foram adquirindo e com os interesses que se foram manifestando.
A frase “torna-te aquilo que és” remete para o desenvolvimento da pessoa. Ora, este pode ser inspirador, original, sábio, estimulante mas, também, ser defeituoso, confuso, ruinoso. E estas duas alternativas de se desenvolver uma pessoa, dependendo de múltiplas variáveis, radicam em primeira instância na família.
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