Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Pais em tempos de crises: Um voto para o Ano Novo

Mário Freire - 27/12/2018 - 10:25

"Educar os filhos para não se tornarem machistas” foi o título que a versão francesa da revista online “Slate” encimou um artigo assinado pela jornalista americana Melinda Moyer, especialista em temas científicos. O machismo baseia-se na supervalorização das características físicas e culturais associadas ao sexo masculino, em detrimento daquelas que mais costumam ser atribuídas ao sexo feminino. E essa supervalorização traduz-se na crença de que os homens são superiores às mulheres. Esta visão tendenciosa começa na infância e pode parar aí “desde que os pais sejam um pouco mais vigilantes do que a sociedade”, diz Melinda Moyer. E, depois, ela interroga-se: “Como fazer do meu filho um homem que respeita as mulheres e as trata como iguais? É possível para ele respirar diariamente o ar misógino da sociedade sem sucumbir a ele? Como posso incutir na minha filha a confiança, determinação e resiliência para que desenvolva todas as suas capacidades numa cultura que eu sinto que vai empurrá-la para o fundo?”
Ora, a grande maioria das crianças, a partir do primeiro ano de vida, consegue distinguir um rosto feminino de um rosto masculino. Essa distinção é, depois, enfatizada pelos adultos nas situações mais diversas, seja na aplicação de regras diferentes dirigidas a cada um dos sexos, seja na atribuição de tarefas distintas a rapazes e a raparigas…. As crianças começam, então, a tirar conclusões definitivas sobre o significado de poderem ser tratadas de maneiras diferentes, consoante o sexo a que pertencem. E assim se vão formando os estereótipos sexuais ou sexismo. O sexismo traduz-se, então, na crença, não sustentada nem pela razão nem pela experiência, de que homens e mulheres, por serem diferentes nalgumas das suas características, têm que desempenhar papéis diferentes na sociedade.
Estes estereótipos são, frequentemente, incentivados pelos próprios pais quando oferecem aos filhos brinquedos sexualmente estereotipados, como sejam vestidos, bonecas, etc. às meninas e camiões, carros de bombeiros, etc. aos rapazes. 
Como é que os pais poderiam incutir nos filhos crenças mais igualitárias? Melinda Moyer dá alguns exemplos. Em primeiro lugar, incentivar as crianças a brincar com outras do outro sexo. Depois, não diferenciar os brinquedos segundo o sexo dos filhos. Mais tarde, como adolescentes, aproveitar as ocasiões em que comportamentos sexistas ocorrem, seja num filme, numa notícia ou em algum acontecimento na escola…para com eles dialogar.
Os estereótipos têm sempre um carácter redutor. Combatê-los é alargar a visão do mundo e não estreitar o modo de ver as outras pessoas, segundo os nossos preconceitos. Eis uma ideia a considerar por todos, especialmente os pais, para o Novo Ano. 
[email protected]

COMENTÁRIOS