A Proteção Civil não tem liderança política, técnico-científica e comunicacional. Aos níveis nacional, regional e municipal. Não tem projeção social, fora das situações de emergência e, nestas, as suas opções e atuações são questionadas e muito problematizadas. Não tem pensamento estratégico e não procura tê-lo. Há anos e anos que está assim.
É urgente reunir os especialistas de proteção civil e os especialistas das várias ciências com aplicações no seu domínio para pensar a proteção civil que temos e a que devíamos ter.
Em 1998, três meses depois de uma tempestade que tirou a vida a 11 pessoas no concelho de Beja, o Governo quis reformar e reformular a sua filosofia e organização. Foi substituída a direção de militares por uma direção “civil”, foram integradas instituições técnico-científicas numa relação permanente com o sistema nacional de proteção civil e foi incentivada a criação de serviços municipais e de planos de emergência. Era o abandono da filosofia ainda com facetas recorrentes de “defesa civil do território”.
Começou a definir o objeto e o âmbito institucional nacional, regional e municipal. Percebeu que precisava de uma ciência de proteção civil com afluência do conhecimento aplicado de várias ciências e tendo como objeto o estudo dos riscos e vulnerabilidades e a resposta em todas as escalas - prevenção estratégica, prevenção próxima e resposta imediata. Percebeu que era preciso injetar ciência e tecnologia no sistema e que era preciso equilibrar, com investimento na prevenção, um sistema que possui uma grande deformação socorrista. A intensa onda de calor de 2003 (originou 1953 mortes por exposição a calor extremo e 426 mil hectares ardidos) devia ter sido motivo para que o sistema de proteção civil se interrogasse e trabalhasse para consolidar, alargar e aprofundar o que começara. Não o fez e, em certos aspetos, regrediu, em particular nos conceitos e práticas de liderança. O recurso sistemático, a partir de 2003, a individualidades de fora do sistema ou/e sem preparação específica para constituir a sua direção nacional, é um exemplo marcante. Parece que todos os problemas convergem para um monte que ameaça desabar.
Operação de limpeza da Albufeira de Santa Águeda /Maratateca. Foi proposta pela Plataforma de Defesa da Albufeira e realiza-se no sábado, 4 de novembro, com organização estendida à Agência Portuguesa do Ambiente e Câmaras Municipais de Castelo Branco e do Fundão. Além de se manter de pé a exigência de remoção do cerejal (não podem existir culturas intensivas na área de proteção de 500 metros) e dos poluentes de várias atividades, nomeadamente das ETAR, há trabalho que nunca foi feito à volta da albufeira.
No futuro, haverá lugar para outras ações, além da limpeza: colocação de cartazes avisadores do que se pode e não pode fazer e onde; reabertura de caminhos públicos vedados; reunião e apresentação pública dos achados arqueológicos na altura das escavações; introdução da vegetação adequada na faixa de proteção total para impedir o arrastamento de materiais para a albufeira, faixa que foi arrasada no caso da implantação do cerejal.
Fernando Paulouro com “Fellini na Praça Velha”. Acabo de ler este romance de Fernando Paulouro Neves. Obtive-o contactando a Biblioteca Municipal do Fundão. Com olhos de hoje, a memória da criança e do adolescente traz-nos o espírito de um tempo em histórias hilariantes no cascarão fundanense do velho Estado Novo. Oxalá dê um filme.
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