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Ponte de Sor: Diocese reuniu cristãos em missão

Lídia Barata - 09/10/2026 - 17:00

Maior compromisso e consciência da dimensão sinodal da Igreja e maior espírito missionário fazem parte da bagagem que cada um levou para casa.

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Movimentos e fiéis da diocese responderam ao desafio do bispo

Ponte de Sor recebeu segunda-feira, dia 5 de outubro, a primeira Assembleia Diocesana presidida pelo atual bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, que considerou que este foi “um grande momento de Igreja e de partilha de fé”.

No final da jornada, D. Pedro Fernandes fez um balanço positivo. “Foi um dia muito bom, com o encontro de pessoas vindas de todas as regiões da diocese, do norte, do sul, gente mais velha, gente mais nova, pessoas com compromissos de longa data e muito sérios nas comunidades, pessoas com compromissos mais diluídos e foi fantástico, porque as pessoas se encontraram, puderam rezar juntas, refletir, pensar também nos desafios que a nossa diocese e a Igreja enfrentam hoje e conviver”, referiu.

Como conclusão, o prelado apontou “mais compromisso, uma maior consciência da dimensão sinodal da Igreja e do desafio missionário. Somos uma Igreja por um lado com grandes desafios, com redução em alguns aspetos, como seja o número de sacerdotes disponíveis, comunidades efetivamente, em algumas regiões, a envelhecerem, mas, por outro lado, foram muitos os sinais de esperança de gente comprometida, de gente consciente de que a Igreja continua animada pelo mesmo Jesus, com a mesma força do Espírito Santo e gente comprometida na missão comum”, rematando que “é isso que somos, cristãos em missão, e é isso que as pessoas levam daqui hoje”.

Na eucaristia de encerramento, na sua homilia, D. Pedro Fernandes destacou que a casa de partida “é comum, é a busca de Cristo, um povo em caminho”, comparando os fiéis à multidão que seguiu Jesus para o ouvir, citada no evangelho do dia, cinco mil, citados na parábola da multiplicação dos dois peixes e cinco pães, que a todos saciaram e ainda sobrou.

Jesus ia descansar, mas acabou por se compadecer da multidão que o seguia, como “ovelhas sem pastor”. E é nesta “compaixão do Senhor, neste olhar compassivo, misericordioso de Jesus, que acolhe e congrega muitos e dispersos, tornando-os um só corpo”.

Perante a vasta multidão e os parcos recursos, os discípulos pediram a Jesus que os mandasse embora, mas “Jesus, diz-lhes que sejam eles a dar-lhes de comer. Convida-os, provoca-os, e fá-los tomar consciência de que não são capazes sozinhos. E é aqui que começa o caminho pedagógico de Cristo. As necessidades são maiores do que as capacidades meramente humanas”. Nesta parábola, Deus mostra que tudo parte “do que é desvalorizado. Do que é pobre. Do que é insuficiente”. E apesar de ser pouco, o rapaz que tinha os peixes e os pães partilhou-os com todos, “colocou ao serviço de todos aquilo que talvez não fosse suficiente para si próprio”.

No fundo, “quando nos organizamos e preparamos, descobrimos que o que nós disponibilizamos para Cristo faz-nos partir de Cristo. Porque tudo veio de Deus. E é isso que Jesus nos faz perceber”.

O milagre não é terem comido. Porque os apóstolos já tinham dado como solução mandá-los embora para que fossem comer a casa. O milagre foi terem comido ali. Terem comido juntos. E é aqui que acontece este sinal estrondoso. Que é o sinal da própria igreja”. Ou seja, “comunidade sentada à mesa de Deus. Que deixa que Cristo cabeça, faça de nós muitos e dispares, diferentes, o que somos, um só corpo. Tornando una a diversidade”.

Desta lição também se conclui que “é na nossa fragilidade e na nossa insuficiência que Deus trabalha. E é a partir daí que podemos falar de uma igreja sinodal. Uma igreja em que todos com todos caminhamos. E por isso acolhemos todos, mas mesmo todos, em todas as diferenças”.

D. Pedro Fernandes, destaca ainda que “a divisão é verdadeiramente inimiga da ação de Deus, inimiga da comunhão”, mas “quando celebramos as nossas diversidades, na comunhão do Espírito Santo, que nos reúne e nos une, então Deus pode fazer as suas maravilhas”.

Esta jornada serviu também para questionar “o que nos pede hoje Jesus Cristo? O que nos pede hoje a Igreja?”. A resposta passa por “abrir as portas a Cristo no nosso coração, tornando a Igreja um lugar de hospitalidade, um hospital de campanha, em que todos os frágeis e em que todos os diferentes se sentem acolhidos”.

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