Na minha aldeia dizia-se que “quem não poupa água e lenha, não poupa nada que tenha”. A água era apanhada no fontanário e às vezes a fila de vasilhas à espera de vez era de vários metros. O roubo de lenha era uma das queixas mais frequentes que chegavam à GNR. Hoje todos têm água em casa e é só abrir a torneira. Quanto à lenha ela só se usa para aquecer a casa no inverno, ou para fazer um churrasco, ou aquecer o forno, e por isso sobra por esses montes e é queimada nos grandes incêndios que agora estão a provocar a declaração de muitos “estados de calamidade”. No uso comum a lenha foi substítuida pelo gás ou pela electricidade.
O pior é quando vem a seca extrema ou severa e é preciso poupar a água das torneiras. Ou quando a guerra impede o gás de circular livremente pelo mundo fora e corre-se o risco de ele faltar no inverno próximo. Nestes casos ou se corta no bem no consumo, ou se raciona aumentando o preço para custos insuportáveis. E é isso mesmo que está a acontecer: as alterações climáticas estão a provocar entre nós estados de seca, por falta de chuva e daí os cortes no consumo público de água, de energia elétrica e de gás e o desafio a que os privados façam o mesmo. Se não o quiserem fazer, a partir de outubro prometem-se subidas de preço na água, no gás, na eletricidade. Ainda me lembro das “senhas” do racionamento de alguns produtos no fim da 2ª. grande guerra, oxalá não cheguemos a tanto,
Estamos a consumir os bens da terra a um ritmo, maior do que aquele que ela produz. Já esgotámos há mais de uma mês a produção deste ano. Estamos a viver do crédito que a terra não nos concede. Ou paramos com este estilo de vida ou daqui amanhã os produtos essenciais são racionados pelo preço e não ficarão ao alcance de todos, só dos que têm dinheiro...