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Leitores: A Voz do Cigano

Joaquim Rosendo* - 29/10/2020 - 9:56

Nos dias 18 a 20 de setembro de 2020 teve lugar no auditório dos Paços do Concelho em Torres Vedras a “VI Academia de Política Cigana de Portugal”.

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Nos dias 18 a 20 de setembro de 2020 teve lugar no auditório dos Paços do Concelho em Torres Vedras a “VI Academia de Política Cigana de Portugal”, organizada pelas Associações Ciganas: Ribaltambição e Letras Nómadas, com o apoio do Município de Torres Vedras e financiada pelo Conselho da Europa.

Este evento teve como principais objetivos promover a participação política das Comunidades Ciganas em Portugal, incluindo o estímulo e a preparação da comunidade para participar ativamente nos processos eleitorais locais, nacionais ou europeus.

Devido a questões de segurança relativamente ao COVID-19, só 25 dos 35 portugueses ciganos participantes habituais é que marcaram presença no evento, vindos de diferentes regiões do país e que fazem parte deste processo de formação iniciado em novembro de 2017. Também Castelo Branco esteve representado, pelo mediador municipal e intercultural do projeto InterCOOLturas – Joaquim Rosendo.

Este grupo de participantes é composto por mulheres e homens, ativistas, dirigentes associativos, mediadores, facilitadores, estudantes do ensino superior com elevada notoriedade no seio das comunidades ciganas e com grande motivação e capacidade de mobilização para a participação cívica ativa, bem como para o aprofundamento da consciência política.

A Academia Política das Comunidades Ciganas segue um modelo, iniciado pelo Conselho da Europa em vários outros Estados Membro, como a Bósnia e Herzegovina, a Turquia ou a Ucrânia, modelo este que procura criar espaços de formação e coaching para mulheres e homens ciganas/os, potenciais candidatos a futuros atos eleitorais, assumindo influência efetiva nas políticas locais, regionais, nacionais e internacionais que dizem respeito aos Roma. 

Os objetivos deste programa de formação são o aprofundamento do conhecimento sobre os respetivos sistemas e atores políticos, a construção da consciência das Comunidades Roma enquanto atores políticos, a mobilização e trabalho em rede e a promoção de lideranças Roma confiantes na liderança das pessoas, das instituições e organizações, das ideias e iniciativas políticas e na liderança da opinião política.

Esta VI Academia, para além dos oradores habituais, tais como a Dra. Catarina Marcelino - antiga deputada do PS na Assembleia da República, que falou sobre os desafios face à COVID-19, teve os investigadores do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra – Dr. Cayetano Fernandez e Dr. Sebijan Fezjula, que falaram sobre a batalha antirracista e o rumo à emancipação da mulher cigana.  Contou ainda com a Dra. Cláudia Pereira, Secretária de Estado para a Inclusão e Migrações, que abordou o tema “O acesso ao emprego e habitação - boas práticas”. Também a jornalista do jornal “Público”, Ana Cristina Pereira, introduziu o tema “A sociedade da informação e a literacia mediática ou literacia digital” e contou ainda com a participação de Elias Prudêncio – português, cigano, advogado e antigo dirigente da JSD de Santarém, que se debruçou sobre o tema “Concelhia e Juventude Partidárias”.
Como convidado Internacional este evento teve a presença de Miguel Ángel Vargas, cigano espanhol, que é Historiador de Arte e que falou sobre a necessidade de encontrar outros espaços de organização no tema “Associações Ciganas é tudo o que temos”.

*Mediador Municipal e Intercultural

Crónica do projeto InterCOOLturas - Mediadores Municipais e Interculturais (POISE-03-4233-FSE-000036) promovido pela Câmara Municipal de Castelo Branco em parceria com a Amato Lusitano – Associação de Desenvolvimento com o objetivo de apresentar de uma forma simplista as diferentes áreas que compõem o quotidiano do povo cigano e também algumas curiosidades.

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