Pormenor da capa da edição agora lançada
Veio a público há poucos dias com o selo da Sociedade dos Amigos do Museu Francisco Tavares Proença Jr. (SAMFTPJ) a publicação de um texto do albicastrense que dá nome ao museu municipal da cidade, intitulado Luiz de Camoens – «o príncipe dos poetas», até agora considerado “inédito” e cuja revelação foi feita cerca de um ano, na Gazeta, por Manuel Lopes Marcelo. No entretanto, segundo se lê na apresentação deste livro, a SAMFTPJ convidou o ensaísta e investigador Paulo Samuel para contextualizar esse texto, à luz do estado da arte no que concerne a vida e obra de Luís de Camões, o que se justificava pela data em que o original foi escrito (1902), isto é, tendo o autor apenas 19 anos, e tendo colhido para o elaborar informações biográficas disponíveis à época.
Parte das mesmas necessitam de revisão e atualização face ao que os estudos camonianos vieram, neste arco temporal, proporcionar através de novas investigações e concurso de dados biográficos e literários hoje firmados. De resto, pode dizer-se que esta edição remata o que em 2024 se ficou a saber por via do V centenário camoniano, comemoração realizada na biblioteca municipal. Agora, surge esta publicação que inclui o fac-símile do manuscrito, redigido numa curiosa letra cursiva, acompanhado da transcrição atualizada e em letra de forma para facilitar a leitura e permitir a introdução valorativa das duas dezenas de notas de Paulo Samuel que permitem ao leitor comparar o «retrato» biográfico de Camões, feito pelo jovem universitário albicastrense, com o que se sabe volvidos mais de 120 anos.
Além do seu valor literário, esta edição contribui também para consolidar a personalidade de Francisco Tavares Proença Jr. numa área a que deu bastante importância, mas que não foi até agora devida e documentalmente estudada que é a sua afeição e interesse pela Literatura portuguesa, restando como peça mais representativa o seu contributo para uma biografia de Camilo Castelo Branco, o romancista que elegeu como «o maior prosador português do século XIX», considerando-o «mestre insubstituível». Neste Luís de Camões, escrito dois ou três anos antes, já se percebe o quanto o drama existencial dos génios criadores lhe toca fundo, realidade a que, numa curta vida, também se via irmanado.