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Questões de cidadania: Eu tenciono fazer a minha parte...

Paula Custódio Reis - 08/08/2019 - 9:53

A Direção Geral da Administração e Emprego Público construiu um questionário que visa avaliar a satisfação Organizacional dos Trabalhadores em Funções Públicas, sendo que incluiu cinco perguntas diretamente relacionadas com teletrabalho.
Há cerca de duas semanas, foi dado a conhecer o Programa de Governo do Partido Socialista, onde se pode ler a intenção de alargamento desta forma de trabalho, num capitulo designado «Estimular o Trabalho à Distância», onde se inclui a intenção de incentivar o teletrabalho como forma de conciliação entre a vida familiar e profissional e para a deslocalização de postos de trabalho para zonas do interior ou fora dos grandes centro urbanos.
É verdade que a ideia do teletrabalho não é nova. Apenas está pouco difundida e escassamente regulamentada no nosso País, para que possa afirmar-se como uma realidade para uma boa parte dos trabalhadores portugueses. No entanto, muitos profissionais do privado já têm esta prática, mesmo sem regulamentação, nomeadamente em áreas onde o recurso às novas tecnologias permite o desempenho cabal de todas as funções. Então, se calhar o que faltava mesmo é que fosse discutida esta possibilidade. 
O recurso a novas formas de trabalho não vem resolver todas as carências do Mercado de Trabalho em geral, ou os problemas dos trabalhadores em particular. Ouvi, há pouco tempo, uma conversa jocosa de um agricultor que dizia que a dificuldade em contratar trabalhadores para a sua área se resolveria facilmente se as couves pudessem ser regadas através do Facebook. 
Mas é importante ressalvar que a participação empenhada de cada um de nós, principalmente nas áreas que nos dizem diretamente respeito, conduz à abertura de novas possibilidades. 
Falar dos problemas e das possibilidades de resolução dos mesmos, participar ativamente é mostrar que existe a tão pretendida «massa crítica». Ou seja, é mostrar que para além da execução, existe a capacidade de pensar e apresentar soluções e propostas. 
A existência de diferentes abordagens potencia o aparecimento de soluções. Por isso é tão importante para as regiões do interior do País que os seus moradores se façam ouvir, individualmente ou nas estruturas onde trabalham, estudam ou estão representados.
A cidadania, a participação de cada um de nós é o que mostra que não desistimos. E que somos merecedores de formas de gestão e representação que nos sejam mais próximas, mais representativas e mais eficientes.
Se é evidente que o País precisa de repensar-se administrativamente, se as Regiões Administrativas ainda estão por cumprir e se estas são uma forma de aproximar o Governo dos cidadãos, garantindo a aplicação plena dos direitos dos cidadãos a todo o território nacional, então, só falta que os cidadãos exijam a sua criação.
Eu, tenciono fazer a minha parte.

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