Numa recente sondagem, coordenada por uma equipa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, revela-nos alguns dados importantes, acerca do estado de alma dos portugueses. Conclui, sem margem para dúvida, que reina uma insatisfação generalizada, de boa parte da população. Depois de tantas trapalhadas, casos e casinhos do Governo de António Costa, não se esperava algo de muito diferente.
Mas vamos aos números. Eles traduzem apenas e tão só a temperatura do país neste momento. Não são dogma, mas uma radiografia preciosa do estado actual em que se encontra o nosso país, depois de uma pandemia e no meio da guerra na Ucrânia que se vai prolongando no tempo e na agressividade.
Iniciemos pelo estado da Saúde. Segundo os dados apurados, cerca de 72% dos inquiridos, do total da amostra, revelou uma grande insatisfação pelo Serviço Nacional de Saúde. NO norte do país os números são mais satisfatórios com 30% de muito ou algo satisfatório. Mas se descermos ao sul, Alentejo e Algarve, mais de 90% da população vive insatisfeita.
Lancemos agora o olhar para a qualidade da Educação Pública que neste ano viveu momentos de grande instabilidade, nomeadamente, devido às contínuas greves dos professores, descontentes com a sua situação salarial e social.
Os resultados, em relação ao SNS, não são tão negativos, mas também são muito problemáticos com o Alentejo e Algarve com 81% de respostas negativas, enquanto a região norte e da Grande Lisboa se mostraram menos críticas, na casa dos dois terços.
Quanto ao eterno problema do combate à corrupção que graça no país, cerca de 80% dos inquiridos mostra-se insatisfeito. Ligado a este problema, surge o estado da Justiça que mostra uma insatisfação generalizada relativamente ao tempo que demora a ser aplicada e aos altos valores que envolve a sua aplicação. Casos judiciais que se arrastam por tempos infindáveis. Muitos condenados na praça pública e na comunicação social, sem que a Justiça dos tribunais se faça devidamente, em tempo razoável.
O grave e actual problema de habitação também mereceu dos inquiridos altos índices de insatisfação. Segundo os dados recolhidos pela sondagem, a situação da política da habitação apenas agrada a 10%. Quanto aos preços elevados que se praticam no mercado do arrendamento das mesmas e quanto à carência de habitações disponíveis no mercado, sobretudo para os mais novos que sonham constituir as suas famílias, a insatisfação é elevadíssima.
Mas a sondagem abrangeu também outros sectores da vida dos portugueses, nomeadamente sondando os portugueses, relativamente em quem mais confiam. A polícia e as Forças Armadas mereceram respostas de confiança ente os 79 e os 76%. Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais e Presidente da República encontram-se também bem posicionados na confiança dos inquiridos, situando-se em cerca dos 70%. O que demonstra que os políticos mais próximos das populações são os que merecem um maior grau de confiança. Constata - se assim que a política de proximidade potencia o regime democrático e a adesão da população.
Daqui decorre a urgência de avançar para eleições em círculos de mais proximidade, nominais, entre os candidatos e os cidadãos eleitores. Não é por acaso que esta sondagem nos revelou, com toda a clareza, que Partidos e Governo lideram na pouca confiança dos portugueses, relativamente ao Parlamento. António Costa e o seu Governo e partidos em geral tomem nota e tirem as devidas conclusões políticas.
Um dos dados mais significativos desta sondagem é revelar-nos que os inquiridos, cerca de 80%, consideram que a União Europeia é a instituição mais influente nas decisões do Governo. Até a acima do próprio Parlamento. Embora 85% dos portugueses inquiridos digam que o Parlamento nacional tem muita ou alguma influência no país.
Relativamente ao momento em que vive a Igreja Católica, com inúmeros casos de pedofilia de alguns padres, esta realidade mostra-se também neste estudo, com elevado grau de desconfiança na instituição da Igreja.
Por seu lado, existe a percepção de uma maioria dos inquiridos que as grandes empresas foram as que mais ganharam com a alta inflação que ocorreu nos últimos tempos.
Dos vários indicadores retirados desta sondagem, conclui-se ainda que 85% dos portugueses querem ser mais vezes e de mais formas, chamados a participar nas decisões políticas.
Se predomina a insatisfação, há sinais, de mitigada esperança, em dias melhores.