Com o Presidente da República abençoado pelo Papa Francisco. A banca a virar costas a Portugal. O Orçamento já aprovado. O Brasil em carnaval político. Com Obama a abraçar Cuba. Após o inesperado adeus da vedeta Nicolau Brayner, o país entra assim num Semana Santa com crianças sírias a morrerem afogadas num mar negro. Qualquer destes acontecimentos nos forneceria assunto para uma longa e proveitosa conversa, nestes dias em que a primavera, fria e chuvosa, se anuncia a medo.
Porém o que mais me tem picado - foram muitos anos de empenhada e gostosa profissão - é a temática ligada à escola, que de vez em quando, salta para as primeiras páginas da atualidade política. Desta vez, teve a ver com as futuras avaliações dos alunos do ensino básico, introduzidas sorrateiramente, a meio do ano letivo. Muda o ministro, alteram-se as regras. Entra novo governo, vira-se a página. Um saltitar que a ninguém aproveita politicamente, inclusivamente a quem as promove. Não falando já dos alunos e dos professores, sempre apanhados por estas cambalhotas trapalhonas.
As pessoas com mais idade, lembram-se certamente, dos seus tempos de escola, com saudade ou desdém, antes do 25 de Abril, a designada escola salazarista. Tudo estava no seu lugar. A disposição da sala de aula, os quadros na parede com o crucifixo a ladear as figuras do regime. As carteiras iguais em todas as escolas. Os livros únicos e perpétuos. A construção semelhante dos edifícios escolares. O dia sagrado do início das aulas e até os castigos aos alunos. Tudo estava previsto ao pormenor, repetindo-se ano após ano, como as estações do ano.
A esta paz de cemitérios, com pedagogia anquilosada, sucedeu uma escola democrática, de massas, que saltou para os antípodas. Com a água suja deitada fora, atirou-se o menino às ortigas. Dos oito, para os oitenta, como diz o povo, acabou-se por cair em tais exageros nas reformas do ensino que nunca mais conseguimos um satisfatório equilíbrio.
Com modas pedagógicas, algumas com valor, mas quase sempre mal introduzidas, porque mal refletidas, sem avaliação dos seus resultados, têm sido insatisfatórios. Neste enlevo temos vivido nas últimas quatro décadas. Uma escola em fanicos onde os alunos não gostam de estudar - a indisciplina fala por si - nem os professores adoram ensinar. Mantê-los calados, o seu maior desfio, referem muitos docentes. Desmotivados que se encontram, com pontapés sucessivos dos pais, dos alunos e dos governos, a tranquilidade é palavra que os professores já mal conhecem. A última reforma do novo ministro da Educação vem na mesma linha. Em janeiro avaliavam-se os alunos do ensino básico de um modo, em março, poderá ser de outra maneira. Mudam os ministros, num ápice, mudam as regras. Assim, não dá. A escola, nas suas grandes opções, não devia estar à mercê de reformas ao gosto de cada governo ou ministro. É urgente, para acabar com esta situação de intranquilidade, que os partidos na Assembleia da República chamem a si o tema e o debatem, até se encontrar um denominador comum que se possa prolongar por alguns tempos, independentemente de quem se encontre no poder.
Depois de se terem injetado tantos milhões no ensino, com resultados tão insatisfatórios, algo vai mal neste país. Olhe-se sim para a substância do ensino nas escolas. Os conteúdos programáticos, os métodos de ensino- aprendizagem, as competências a exigir aos professores com uma avaliação rigorosa, a introdução eficaz das novas tecnologias, a avaliação objetiva dos resultados obtidos, para se poder introduzir as vantajosas alterações.
Os resultados apurados recentemente, através de um estudo da OMS, que abrangeu países da Europa e da América do norte – ouvidos 6 000 portugueses – onde se perguntava se os alunos gostavam da escola, o nosso país surge em 32.º lugar, com respostas afirmativas, na ordem dos 12%.
Quanto aos professores, do que mais se queixam é da indisciplina na sala de aula e do ambiente de desmotivação reinante, entre a maior parte do corpo docente.
Só que, enquanto não houver o mínimo de estabilidade no Ensino, podem-se fazer reformas e mais reformas, que a confusão mal conselheira, não ajudará a melhorar o sistema. Sem uma escola com o mínimo de qualidade, o futuro do nosso país nunca poderá ser de grande qualidade. Partidos, façam favor de se entenderem. O país agradece. Feliz Páscoa para todos.
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As vantagens passam, resumidamente, por uma maior liberdade na escolha das matérias a aprender, permitindo simultaneamente uma maior abrangência e uma maior especialização (consoante o aluno assim o entenda), por uma reorientação do ensino para a verdadeira transmissão de conhecimentos, em vez do mero cumprimento de um programa, e por uma eventual redução das burocracias e desperdícios.
Para não me alongar demasiado, abster-me-ei de enunciar aqui toda a organização desse paradigma alternativo, remetendo, em vez disso, para uma página onde está descrita com relativo pormenor:
http://porumnovoensino.blogspot.pt/p/blog-page_27.html