Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, não saiu de casa no último fim-de-semana. As altas temperaturas que afetaram o Burgo levaram-no a permanecer na sua residência, com as janelinhas fechadas e a ventoinha ligada. -”Ainda tentei sair, mas quando entrei no carro o termómetro marcava 51 graus. Voltei logo para casa e sentei-me no sofá a degustar uma aguinha fresquinha, que quando está calor deve beber-se água”, disse.
-”Pois eu fiz a mesma coisa”, referiu Godofredo, Secretário Geral da BR, enquanto saboreava, com Jeremias, uns caracóis bem temperados, num café com ar condicionado.
-”Não se podia. Ainda equacionei ir à piscina praia do Burgo, mas estava um calor que não lembrava ao diabo. Já nem liguei aos netos, para não lhes criar falsas expetativas”, justificou o presidente da Brigada, que não compreende como as questões contratuais podem sobrepor-se às da saúde.
-”De facto, andam todas as televisões e os serviços de saúde a aconselhar as pessoas a não apanharem sol entre as 12H00 e as 16H00, e depois colocam 200 homens de cima de bicicletas a percorrer mais de 200 quilómetros com temperaturas de quase 50 graus. Uma vergonha!”, disse Godofredo.
-”Tal como foi vergonhoso o que fizeram ao Burgo, que retiraram a Volta da vila. Isso é que foi vergonhoso. Quando o país não tinha dinheiro souberam vir aqui procurar o dito, agora inventaram desculpas. O Burgo e os burguenses mereciam mais respeito da organização!”, acrescentou Jeremias.
-”Lá isso é verdade amigo Jeremias. A isso se chama coesão territorial”, retorquiu Godofredo, enquanto tentava perceber como é que os ciclistas conseguiam pedalar em situações tão extremas...
JC