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Retratos: Abraço

- 07/02/2019 - 10:33

Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, ainda não percebeu porque é que o Presidente da Nação Luistana não veio dar um abraço aos associados da Brigada do Reumático. - “Todos temos direito à vida”, disse, enquanto olhava para a televisão do Café Beiral e via o chefe da Estado a dar abraços e beijinhos no bairro que tem o nome de um país que até está associado a um estilo de música e em receber com flores as forças da autoridade.
- “Mas ele foi lá à paisana”, disse Godofredo, secretário geral da BR, para quem o presidente dos afetos só quis mostrar solidariedade para com uma população que é descriminada, como muitas outras neste país e que passa a vida a levar «calduços» da polícia. 
- “Pois é, também o que haveria de dar aos agentes da autoridade. Acordaram mal dispostos e lembraram-se de descarregar a ira em pessoas íntegras, incapazes de fazer mal a ninguém, gente de trabalho, que vive exclusivamente do seu salário. Daí compreender muito bem aqueles abraços presidenciais”, acrescentou Godofredo.
- “Só faltou mesmo o assessor dos Lôquistas”, disse Evaristo, presidente do Conselho Fiscal da BR.
- “Deve ter havido ali alguma falha de comunicação”, argumentou Jeremias.
- “Pois deve! Vamos lá ver se não vem para as redes sociais a dizer que o «bosta» do Presidente não lhe deu um abraço por ser racista ou outra coisa qualquer, pois os lusitanos são todos uma cambada de racistas que nem pagam os seus impostos para um Estado social”, ironizou Godofredo.
A conversa decorria em tom de brincadeira, mas ao mesmo tempo de indignação. - “Quando sou multado por mau estacionamento até posso criticar a malta das forças de segurança. Mas isto é diferente…”, concluiu Jeremias, para quem os abraços deveriam ter ido para quem desempenha “a função de nos proteger e claro está para a Brigada do Reumático”…

JC

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