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Retratos: Água

JC - 19/09/2024 - 11:29

- “Egas?”.

- “Sim, Becas”.

- “É verdade que já não nos vão levar a água para regar as frutas do pomar?”.

- “É verdade, Becas. O Condado não enviou os documentos para manter viva a chama do regadio da Villa Cova”.

- “Mas não foi a pressão do Condado e do Roseiral que acabou com o processo?”.

- “Não Becas. No fundo houve uma espécie de falta de comparência. Foi uma das pressões mais fáceis de concretizar. Já o Roseiral, numa semana atribui a paternidade do regadio ao líder do Infinito e ao presidente da Villa Cova, e na outra baralha-se todo e ninguém percebeu muito bem o que queriam dizer”.

- “Mas assim não vamos ficar sem a nossa água, pois não Becas?”.

- “Não, não vamos. Resta saber se a Barragem do Centro do Mundo avança. Está tudo tão parado e três anos depois nem se vê o projeto, nem nada. Apenas paleio”.

- “E se se construir essa barragem virá o regadio, Becas?”.

- “Uma coisa não está, nem nunca esteve, relacionada com a outra, Egas. Mas como por vezes na política se quer esquecer a história e quem dá a cara não tem a humildade de consultar os processos, engana-se o povo”.

A conversa entre as duas personagens terminou quando o neto de Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, acordou do seu sonho profundo. - “Avô! Avô! Sabias que a água da Área Metropolitana do Burgo não vai faltar nas torneiras. Foi o Condado que fez uma pressão tão grande, mas tão grande, junto do Governo Lusitano que eles tiveram medo e deixaram cair o regadio!”.

- “Como é que sabes essas coisas?”, questionou Jeremias.

- “Foram o Egas e o Becas que me disseram” concluiu o neto mais novo de Jeremias, enquanto tentava perceber se o seu sonho tinha algum fundo de verdade e se as frutas do pomar teriam viabilidade...

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