Nunca o Burgo Futebol Clube viveu momentos tão intensos num ato eleitoral. Jeremias, presidente da Brigada do Reumático e sócio da coletividade burguense desde pequeno, só tem memória de tantos sócios juntos “quando quiseram acabar com o futebol profissional, na década de 90 do século passado. Aí até a barraca abanou! Tudo por causa das arbitragens!”, recorda.
Mas na passada segunda-feira, a situação foi diferente. Guilhermindo - que o notário da época era disléxico e mudou-lhe a graça, é sócio vai para 70 anos. É daqueles que vivem o clube todos os dias. - “Tudo isto é muito bonito. O Burgo Futebol Clube recebeu, só numa semana, 200 novos associados. Esperemos que depois destas eleições continuem a pagar as quotas. Só fui para casa já passava da uma da manhã, depois de confirmados os resultados”, disse, no dia seguinte no café Beiral.
- “Às vezes é preciso agitar as águas para mostrar à Villa que o clube existe!”, referiu Godofredo, secretário geral da BR, que espera, agora, que as questões partidárias “fiquem à porta da coletividade. Não interessa se somos do roseiral, do laranjal, dos populistas, vermelhistas ou lôquistas. Somos todos Burgo Futebol Clube!”, acrescentou, lembrando que este slogan até podia ser impresso numas camisolas de mangas arregaçadas.
- “Mas antes de preparar a próxima época importa terminar esta e dar os parabéns a quem dirigiu o clube nos últimos anos. Foram uns senhores e com muito rigor nas contas!”, disse, de novo, Guilhermindo, que com os seus 86 anos, não arranjou desculpas na bengala e esteve, firme e hirto, até ao anúncio dos resultados.
- “Foram 21 votos de diferença. Ambos os candidatos apresentaram listas competentes, pelo que o Burgo Futebol Clube e os seus associados devem estar satisfeitos. Como disse o camarada Adruzildo, se nos jogos da bola forem assistir tantos sócios quantos os que votaram, para o ano subimos de certeza”, concluiu Jeremias, enquanto brindava ao dinamismo da coletividade burguense…
JC